A proximidade das eleições atua como catalisador e estímulo às discussões sobre projetos e programas no âmbito das correntes progressistas. Embora as possibilidades de incorporação das propostas resultantes sejam incertas, pois dependem das articulações políticas, da correlação de forças e da própria postura dos partidos e candidatos eleitos, o exercício do debate é importante, pois politiza, esclarece e, eventualmente, pode redundar em medidas práticas passíveis de incorporação por um novo governo.
No âmbito das correntes progressistas, as propostas giram em torno do paradigma desenvolvimentista e de suas variantes, envolvendo a escolha de prioridades e uma maior ou menor participação do Estado nas propostas de políticas econômicas. No período recente, o debate tem estado polarizado entre duas versões dessa visão: o novo-desenvolvimentismo e o social-desenvolvimentismo, sendo que o primeiro prioriza o desenvolvimento das forças produtivas, enquanto o segundo enfatiza a redução das desigualdades sociais.
O novo-desenvolvimentismo destaca a dimensão macroeconômica das políticas de desenvolvimento, em particular a manutenção da taxa de câmbio em patamar competitivo e de taxas de juros moderadas, reservando à política fiscal um papel coadjuvante por meio de um regime fiscal sustentável, entendido como a rejeição a déficits recorrentes e aos seus efeitos potencialmente negativos sobre a taxa de juros e, indiretamente, sobre a taxa de câmbio. O pressuposto crucial é que a configuração correta dos preços macroeconômicos terá a capacidade de promover o aumento do investimento e do crescimento econômico.









