Há um pulso subterrâneo de inquietação na obra de Luiz Gonzaga Jr. (1945-1991) que resiste à passividade dos acervos históricos. Em "Gonzaguinha, Da Maior Liberdade", a diretora Susanna Lira foge da armadilha do mero memorialismo e entrega uma obra de ritmo contagiante. Vencedor do Kikito de melhor longa-metragem documental no Festival de Gramado e do prêmio de melhor documentário narrativo no LABRFF (Los Angeles Brazilian Film Festival), o filme estreia nos cinemas em 3 de setembro.
A estrutura do documentário evita a cronologia convencional —a infância no morro de São Carlos, no Estácio, no Rio de Janeiro, os embates com a censura durante a ditadura militar e a morte precoce em um acidente de carro. Em seu lugar, o roteiro, assinado por Rodrigo Alzuguir, organiza a trajetória a partir de eixos temáticos: a crônica da miséria urbana, a esperança democrática e o lirismo amoroso.
A montagem de Ítalo Rocha extrai energia da justaposição dos registros. Gravações de estúdio e trechos de entrevistas de Gonzaguinha são tensionados por intervenções cênicas e de dança, com Iara Cassano e Jefferson Bilisco. A escolha afasta o projeto do didatismo televisivo e dá volume às lacunas deixadas pela escassez de imagens históricas.






