Na semana passada, escrevi sobre a recente produção documental musical brasileira e o tanto que esse tipo de obra busca apenas homenagear os artistas. Falta coragem a muitos cineastas brasileiros para abordar a música brasileira de forma mais provocadora.
Não há desculpa. Hoje em dia há segurança legal para a produção de obras biográficas sem o aval dos próprios artistas. Em 2015, o Supremo Tribunal Federal aprovou a "lei das biografias" (ADI 4815). Ela deu fim a processos abertos por artistas incomodados com verdades incômodas expostas em livros, peças e filmes. Muitos músicos da MPB advogavam pela "privacidade" para, na verdade, cercear a liberdade criativa e de expressão de outros artistas, escritores, teatrólogos e cineastas, que buscavam retratar nossa música popular com olhos menos endeusadores.
De 2015 para cá, poucos se aproveitaram de fato da garantia legal para produzir obras interessantes, instigantes e sem rabo preso com o agrado de artistas. Então é preciso louvar aqueles que o fazem.
Um autor que merece menção é o jornalista Tom Cardoso. Desde que a "lei das biografias" foi aprovada pelo STF, Cardoso escreveu um livro-reportagem sobre o ex-governador fluminense Sergio Cabral, e biografias de Nara Leão e Cássia Eller. Mas a obra sobre a qual quero chamar atenção aqui é a trilogia sobre a santíssima trindade da música brasileira: Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque.







