Certos documentários valem pelo personagem que apresentam ou revelam. É o caso deste "Toquinho – Encontros e um Violão". Em primeiro lugar pelo paradoxo que ali se expõe. Trata-se de um compositor bastante famoso, com várias (talvez inúmeras) músicas de sucesso, mas sobre o qual a maioria das pessoas sabe muito pouca coisa.
Sabe, por exemplo, que ele foi parceiro de Vinicius de Moraes. Mas o parceiro, por brilhante que seja, é sempre um coadjuvante. E, no caso, de alguém que trouxe para a música popular o prestígio da erudição e da poesia.
Talvez seja mais que um parceiro. Talvez Toquinho tenha uma luz própria que o leigo não costuma alcançar, que ficou encoberta pela dupla, que o próprio definirá como uma relação de pai e filho, mas um tanto singular, pois às vezes era ele, o jovem, que fazia o papel de pai de Vinicius.
Enfim, como qualificá-lo nesse imenso território que é a música brasileira? Seja como for, Toquinho tem uma existência própria. Ele é o menino que aprende a tocar violão quando consegue impressionar um desconfiado Paulinho Nogueira, um dos maiores violonistas de seu tempo. É o momento em que se define seu destino.
Como Chico Buarque, seu amigo desde a juventude, foi um músico de segunda geração da bossa nova. Ao contrário de Chico, porém, que soube estar dentro e fora da bossa nova e criar um estilo muito pessoal, Toquinho ficou antes como o segundo da dupla. Ao ponto de, quando Vinicius morreu, sua mãe perguntar o que seria de sua carreira agora.






