PUBLICIDADE "Sou eu e meu violão, uma coisa totalmente intimista", diz integrante de trio responsável por "Cordeiro de Nanã", sobre o novo espetáculo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O cantor Mateus Aleluia, em Cachoeira, no Recôncavo, na Bahia — Foto: Divulgação/Vinicius Xavier RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Aos 82 anos, o cantor e compositor baiano se apresenta em formato intimista de voz e violão, com ingressos já esgotados. Artista celebra o alcance da canção "Cordeiro de Nanã", lançada em 1977 pelos Tincoãs CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Especializado em reelaborar, com exuberantes harmonias vocais, cânticos das religiões de matriz africana e sambas de roda, o grupo baiano Os Tincoãs atravessou as décadas com “Cordeiro de Nanã”: canção lançada em 1977 e gravada por João Gilberto em 1981, que depois acabou ganhando o mundo (é uma das favoritas da estrela americana Lizzo, que inclusive a cantou para o GLOBO em passagem pelo Brasil, em 2020). Ano passado, a música chegou a toda uma juventude brasileira por via da cantora Anitta, que a sampleou em “Nanã”, faixa do álbum “Equilibrivm”. Sobrevivente dos Tincoãs, o cantor e compositor Mateus Aleluia — que faz dois shows no Rio, sábado e domingo, com ingressos esgotados, no Teatro da Caixa Cultural Nelson Rodrigues — celebra de forma serena o caminho percorrido pela composição do grupo. — Essa música não é minha. Ela é nossa, no sentido mais abrangente possível — diz, em entrevista por telefone. — Antes que existisse a Terra, o Universo, o Cosmos, nós imaginamos que houve a movimentação dos elementos. E quem movimentou esses elementos? A gente acredita que foi essa entidade, Nanã, a grande criadora de tudo quanto existe. Então, é por isso que essa música tem essa identidade com pessoas que tiveram contato com ela através de nós, os Tincoãs. É uma música que antecede a tudo quanto se possa imaginar. Conjunto Os Tincoãs em 1978 — Foto: Arquivo/Reprodução Aos 82 anos de idade, o baiano de Cachoeira segue em plena atividade. Ano passado, lançou “Mateus Aleluia”, álbum que privilegia sua voz característica, em canções como “Doce sacrifício” (dos versos “Ainda mais na minha idade/ a melhor verdade/ que encontro é ser feliz”). E, recentemente, pôs nas livrarias “Afrobarroco”, reflexão sobre identidade, educação, convivência e formação cultural a partir de sua experiência no Recôncavo Baiano. — A vida em si é mesmo isso, você vai virando páginas. E, quando você vira, tem que começar a escrever uma nova página. Então, é uma página a mais que estou escrevendo nesse livro da vida — filosofa o cantor e escritor, para quem, tanto ontem quanto hoje, o que vale é o princípio da autenticidade. — É a nossa forma de falar para o mundo, a nossa forma de falar para nós próprios. Porque só podemos falar para os outros daquilo que acreditamos, do que falamos para nós mesmos. A primeira entidade que temos que convencer somos nós mesmos. Por isso mesmo, as apresentações no Rio, abrangendo uma história fonográfica de mais de 50 anos, serão feitas só com voz e violão. Nuas, sem ornamentos, “assim como a gente nasce”: — A gente chega sem trazer nada, a não ser nós mesmos e a vida. É a respiração que a gente traz conosco ou aprende na hora que nasce. Penso que vai ser isso, vou me mostrar para as pessoas como realmente sou. Eu, meu violão, uma forma de falar, a forma de cantar, uma coisa totalmente intimista. E querendo fazer com que essa intimidade seja real. Não vamos botar nenhum tipo de adereço para mostrar aquilo que nós pretendemos fazer e que estamos fazendo nessa vida. ‘O amor é como a lâmpada’ O amor é a tônica das canções mais recentes do baiano, gravadas em “Mateus Aleluia”. Em “No amor não mando”, ele chega a dizer: “Não sou rebelde ao ensino que o amor me dá.” Sempre há tempo para aprender. — O amor não se altera em função do tempo. Ele é o que ele é, ele por si só se basta, você não precisa acrescentar nem tirar para que ele chegue na medida exata — ensina. — Há, sim, uma forma um pouco estereotipada de a gente encarar o que é o amor, que é vê-lo como uma coisa fora da nossa realidade. O amor é como a lâmpada que acende no teu quarto: tem o positivo e tem o negativo. Se for só o positivo, ela não acende. Se for só o negativo, ela não acende também. Então, tem que haver esse equilíbrio.