Chico Buarque, o gênio da raça da música brasileira, comemora 82 anos nesta sexta-feira. Além da obra magnânima no campo da música, Chico se destaca no campo literário. Ele já escreveu romances, peças de teatro, novelas, contos, poesia e literatura infantil. Mas quando escreverá uma autobiografia?

Alguns podem dizer que Chico já escreveu sobre si e os seus familiares em obras como "O Irmão Alemão", no qual romanceia a vida de um filho de seu pai fora do casamento. Há meias-verdades e muita imaginação na história lindamente contada no livro.

Um de seus últimos livros, "Bambino a Roma", conta sua infância em solo italiano, acompanhando toda a família em período de estudos de Sérgio Buarque de Holanda na Europa. Mas também aí Chico se escora na literatura para não se haver com suas questões. Apoiado em memórias infantis, ele se esquiva de contar períodos mais importantes de sua vida.

A autobiografia é um gênero consolidado no mercado literário nacional. Mas, na música brasileira, pouquíssimos gênios da música brasileira se aventuraram a mergulhar dentro de si e se expor com sinceridade, construindo um texto com valor literário no mesmo nível de suas canções.

Caetano Veloso escreveu "Verdade Tropical" em 1997, um impressionante relato autobiográfico lindamente escrito. Nesta obra acompanhamos o baiano desde seu nascimento até 1972, quando voltou do exílio, decretando o fim do tropicalismo. Caetano nos deve a continuação de suas memórias.