Com a determinação do órgão regulador, gestora terá que desembolsar bem mais que os R$ 6 bilhões inicialmente previstos para comprar a participação dos minoritários na rede de clínicas oncológicas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Um centro de tratamento de câncer da Oncoclínicas no Rio de Janeiro — Foto: Dado Galdieri/Bloomberg A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deu prazo de 60 dias para que a gestora americana Centaurus realize a oferta pública de aquisição (OPA) de ações da Oncoclínicas. O órgão regulador do mercado de capitais também determinou que todos os acionistas da companhia, com ações até a véspera da OPA, poderão participar da oferta, cujo valor deve ser maior do que o inicialmente previsto pelo mercado. Os detalhes da decisão do colegiado da CVM constam em ata da reunião realizada na terça-feira, quando os diretores do órgão decidiram por unanimidade pela necessidade da OPA. O prazo para que a Centaurus realize a oferta, portanto, começa a valer a partir do dia 25 de agosto e corre até 25 de outubro. A CVM também fixou em 4 de novembro de 2024 o fato gerador da OPA. Foi nesta data que o fundo Josephina III, gerido pela Centaurus, alcançou 16,05% das ações da Oncoclínicas, o que acionou a cláusula poison pill (ou pílula de veneno) do estatuto da empresa, que obriga a abertura de OPA por acionistas que ultrapassem 15% de participação. Desse modo, o colegiado da CVM decidiu que o preço das ações será calculado desde a data do fato gerador da OPA até a liquidação da operação, e com atualização pela Taxa Selic. Isso deve levar o valor desembolsado pela Centaurus para comprar a participação dos minoritários para patamar superior dos cerca de R$ 6 bilhões inicialmente calculados pelo mercado. Mudança no entendimento O pedido de OPA na companhia foi levado à CVM pela gestora brasileira Latache. Porém, como mostrou a coluna Capital, os técnicos do órgão regulador do mercado de capitais tinham manifestado o entendimento de que a reorganização societária que deu à gestora americana Centaurus um pedaço relevante da companhia se enquadra na hipótese de exceção do parágrafo 8º do artigo 39 do estatuto social da Oncoclínicas, "não sendo exigível, em face da Centaurus ou do Josephina III (o fundo usado por ela), a realização da OPA estatutária ali prevista”. O entendimento acabou revertido na terça-feira pela diretoria colegiada. Na outra ponta, a Centaurus argumenta que já era acionista desde o IPO da Oncoclínicas por meio dos fundos do Goldman Sachs. Em 17 de julho, a gestora americana acabou diluindo a participação na Oncoclínicas e caindo de uma participação de 14,76% para 9,91%. A posição de maior acionista da rede de tratamento de câncer passou para a Latache, com 14,59% dos papéis. A gestora é especializada em ativos "estressados", e pode ser a maior beneficiada pela OPA. No último fim de semana, a Centaurus moveu um pedido de arbitragem contra a Latache na B3.