Segundo a CVM a oferta pública de aquisição de ações precisa ser realizada em 60 dias, a contar a partir do dia 25 de agosto 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 OPA da Oncoclínicas é para toda base de acionistas e valor será ainda maior — Foto: Divulgação/Oncoclínicas O Colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) definiu que a oferta pública de aquisição de ações (OPA) da Oncoclínicas precisa ser realizada em 60 dias, a contar a partir do dia 25 de agosto. Todos os acionistas da base acionária, com papel até véspera da OPA, terão direito a participar da oferta. Além disso, haverá uma correção pela taxa Selic, considerando o período de 4 de novembro de 2024 até a data da OPA, ou seja, até 25 de outubro. Com esse ajuste, o valor da oferta vai ser muito superior aos R$ 6,5 bilhões previstos inicialmente. Com a decisão do Colegiado, os minoritários já se organizam judicialmente para que a operação seja efetivada independentemente da arbitragem contra a gestora Latache, segundo fontes. A Centaurus, acionista que precisa fazer o desembolso na visão da autarquia, entrou com pedido de arbitragem, na última sexta-feira (21), contra a Latache, que liderou o movimento da OPA e será a maior beneficiada nesse processo. A fatia da gestora de Renato Azevedo é de 14,5% e estima-se que seu ganho será de pelo menos R$ 1,5 bilhão na OPA. Na argumentação dos minoritários, a arbitragem é uma discussão privada entre Latache e Centaurus. O próprio advogado da Latache, Bernardo Costa, defende essa tese. Já a Centaurus diz que não há OPA enquanto corre a arbitragem. “O Tribunal Arbitral da Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM) da B3 é o órgão que detém jurisdição exclusiva para resolver esta disputa comercial entre sócios de uma empresa de capital aberto, motivo pelo qual o fundo Josephina III [veículo da Centaurus] iniciou o procedimento arbitral perante a CAM na semana passada.” Ações sobem Há uma corrida de investidores comprando as ações da Oncoclínicas. Ontem, o papel da companhia de saúde fechou em alta de 9,71%. No acumulado deste mês, quando começaram a circular as informações de que o colegiado da CVM votaria a favor, o valor da ação da rede de tratamento para câncer saltou de R$ 0,55 para R$ 1,92, ou seja, valorização de 3,5 vezes. O colegiado considerou a data de 4 de novembro de 2024 porque foi neste dia que a Centaurus divulgou ter uma participação de 16% na Oncoclínicas. O estatuto da companhia diz que qualquer investidor que alcançar 15% da rede de tratamento para câncer precisa fazer uma oferta a todos os minoritários. O valor estabelecido para a OPA é o equivalente a 120% da maior cotação dos 12 meses anteriores à data em que a Centaurus informou sua fatia (novembro de 2024) ou do dia em que a OPA teria de ter sido realizada (janeiro de 2025). Na época, o papel estava na casa dos R$ 12. Sobre esse valor acrescentam-se os 120% e correção pelo IPCA. Além disso, é preciso considerar que a companhia fez aumento de capital. Outro ponto é que uma parte relevante dos acionistas de 2024 já se desfez de suas ações diante dos resultados negativos que a companhia vem apresentando nos últimos dois anos. Hoje, a empresa está em processo de recuperação extrajudicial para negociar dívidas de R$ 5,1 bilhões.