Estabilidade e segurança jurídica são cruciais para atrair recursos, na visão da especialista 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Para a advogada Camila Mendes Vianna Cardoso, chineses têm interesse em petróleo e infraestrutura — Foto: Verônica Peixoto A advogada Camila Mendes Vianna Cardoso, sócia do escritório Kincaid Mendes Vianna Advogados e presidente da Coordenação Estadual de Relações Brasil-China da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), avalia que estabilidade e segurança jurídica são cruciais para atrair recursos. E isso vale para o investimento da China — para as empresas do país dos planos quinquenais, cumprir o planejado é fundamental. Por isso, Camila recomenda a autoridades e empresários que se preparem e planejem para fazer negócios com investidores chineses. Veja a entrevista: O Brasil tem sido um dos principais destinos do investimento da China no exterior. O Rio tem condições de atrair parte dos recursos? Várias empresas já estão localizadas no Rio, como StateGrid, Sinopec e PetroChina. O Rio tem a possibilidade de atrair muitas empresas chinesas, porque a área de energia, petróleo e gás, que é forte no Rio, é um dos focos do investimento da China. A China também está muito interessada nas energias renováveis, e o Brasil tem uma tendência de investir cada vez mais nisso. Além disso, há também a infraestrutura. Há uma necessidade, no Rio, de investimentos em infraestrutura em geral, em portos, estaleiros. O capital estrangeiro chinês tem interesse em investir nessas áreas de logística. Recentemente, tem também a tecnologia. A China está muito mais desenvolvida do que a gente pode imaginar. O que é mais relevante para atrair o investimento chinês? O que atrai investimento é a segurança jurídica, um ambiente em que sabemos que as regras não vão mudar todos os dias. Isso, na China, é muito importante. A China trabalha com aqueles planos quinquenais. É fantástico: o governo faz o plano, vai lá e cumpre o plano. Não tem o que pare aquele plano, coisa que, aqui no Brasil, temos dificuldade de conseguir, porque depende de quem vai ser o presidente, quem vai ser o governador. Realmente, o Rio precisa ser mais pró-business nesse sentido, não ficar mudando de governador o tempo todo. O que precisamos é de pessoas que façam um bom trabalho, estabilidade econômica e política e, principalmente, um planejamento, porque o chinês trabalha a longo prazo. Ele demora para confiar em você, vai primeiro testar bastante, para depois confiar e ter uma relação. Aí, ele vai ser um ótimo parceiro. As empresas brasileiras estão preparadas para fazer negócios com as chinesas? Temos que ter mais conhecimento sobre a China. Falta conhecimento. Acho que, às vezes, o brasileiro, vai para o comércio exterior sem estar devidamente preparado, sem estudar. É preciso estudar a China, entender como é que funciona a cabeça do seu parceiro comercial. Por exemplo: na China, quando vou fazer uma proposta de honorários, tenho que pensar muito, porque lá não tem renegociação (de preços no contrato). Então, tudo tem que ser muito bem organizado, chegar sempre no horário, eles se preparam para receber. Falta, às vezes, essa preparação. A pessoa não se prepara e acha que vai chegar e falar de improviso. É preciso conhecer mais questões jurídicas dos negócios com a China? Exatamente. A China tem um Código Civil, mas tem algumas coisas que desconhecemos. Sabemos quais as principais universidades americanas, mas se perguntarmos quais as melhores instituições da China, conhecemos pouco. A nossa comissão (na OAB-RJ) reúne os chefes jurídicos das empresas chinesas. Estive na China agora, em março e abril, com uma delegação de advogados. Fomos recebidos por vários escritórios de advocacia chineses. Você pensa que eles têm cem pessoas trabalhando? Não, são quatro mil, dez mil pessoas.
‘Rio tem possibilidade de atrair empresas chinesas’, diz especialista
Estabilidade e segurança jurídica são cruciais para atrair recursos, na visão da especialista














