Antecipação da infraestrutura e garantia de compra da energia também são fundamentais para tirar projetos do papel, segundo especialistas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Rodrigo Rocha, da Vinci Compass (esq.); Fabio Passarelli, da Petrobras; Victor Bomfim, da Vast; e Rennan Setti (O Globo) — Foto: Marina Calderon/O Globo A antecipação da estrutura e a garantia de compra da energia são pilares fundamentais para tirar projetos de transição energética do papel. Embora haja interesse dos investidores e capital disponível, já que esses ativos oferecem fluxos de caixa constantes e previsíveis, a taxa de juros elevada no Brasil afeta a viabilidade dos investimentos. Estes foram alguns pontos destacados no segundo painel do evento Conecta Rio. Para Victor Bonfim, CEO da Vast Infraestrutura e conselheiro do EIG Global Energy Partners, a infraestrutura não pode vir a reboque dos projetos. Ele lembrou que investimentos em infraestrutura logística e portuária exigem alto volume de capital, além de longo prazo de maturação: “As empresas precisam ser proativas. A Vast já investe em terminais de líquidos, de olho não apenas nos combustíveis tradicionais, mas na movimentação e manuseio dos ‘combustíveis do futuro’, como o metanol verde e o combustível de aviação. Sem a estrutura logística pronta e posicionada de antemão, a cadeia de novas fontes não consegue escoar ou se consolidar.” CEO da Genial: “O custo do capital alto encarece a infraestrutura” Rodolfo Riechert — Foto: Silvia Costanti/Valor Para o capital privado entrar, a pergunta é sempre “quem compra?”, lembrou Rodrigo Rocha, sócio de Infraestrutura da Vinci Compass. Ele disse que há grande diferença entre a tecnologia ter potencial promissor e ser, de fato, uma aposta de investimento. Rocha citou o hidrogênio verde, com diversos projetos listados, mas poucos na fase final de investimento porque falta comprador de longo prazo: “Estamos trabalhando em um projeto de e-metanol (derivado do hidrogênio verde) em Pernambuco. Ele tornou-se viável porque possui comprador que se comprometeu a adquirir 100% da produção por dez anos.” Rodolfo Riechert, CEO da Genial Investimentos, apontou que a infraestrutura é atraente para investidores. São projetos que geram fluxos de caixa relativamente constantes, regulares e quase garantidos ao longo de muitos anos. Mas o obstáculo, segundo ele, é o patamar dos juros no país. “Devido à carência histórica de infraestrutura no Brasil, há forte demanda de grandes investidores internacionais. Mas o custo do capital alto encarece a infraestrutura e a taxa elevada de juros reduz o retorno dos projetos”, afirmou. Mesmo com a descoberta de óleo na Margem Equatorial, Fabio Passarelli, gerente-geral de águas ultraprofundas, concepção e implantação de projetos da Petrobras, disse que o Rio não perde a “majestade” de capital do petróleo. “A descoberta em águas profundas na Margem Equatorial é vista como complemento à produção atual, e não ameaça de substituição. Toda a infraestrutura, o know-how e a capacidade desenvolvidos ao longo de décadas nas bacias de Campos e Santos continuarão gerando frutos no Rio.”
Juro alto é um dos entraves no setor de energia
Antecipação da infraestrutura e garantia de compra da energia também são fundamentais para tirar projetos do papel, segundo especialistas







