Brasília comemorou em maio o levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China que apontou o país como o maior receptor mundial de investimento chinês em 2025, com US$ 6,1 bilhões. O número é verdadeiro, mas conta apenas uma parte da história. É que o capital que decide o desenho industrial de uma década não está vindo para cá, como mostra o destino do dinheiro no primeiro semestre de 2026.
A Administração Geral das Alfândegas da China divulgou nesta semana comércio de ¥ 4,34 trilhões (cerca de R$ 3,36 trilhões) com a Asean no primeiro semestre, alta de 18,2%. O que importa está na composição, já que as vendas de bens intermediários, peças e insumos de produção cresceram 24,5% e responderam por dois terços do total. Este é o retrato de uma cadeia produtiva costurada entre vizinhos.
Enquanto isso, sob a Nova Rota da Seda, os países latino-americanos receberam US$ 584 milhões em construção e US$ 219 milhões em investimento, num total mundial de US$ 126,4 bilhões apurado pela Universidade de Fudan. A construção chinesa no Sudeste Asiático cresceu 81,3%, e a Malásia é o destino preferido de 56% das empresas da China ouvidas pelo banco UOB.
A razão do desvio é simples. Os países que tomaram fatias chinesas no mercado americano são os que já estavam integrados às cadeias do país asiático e, para deslocar a China nas exportações, é preciso antes absorver seus fornecedores.









