Projeto para a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal do Estado do Rio deverá ser enviado nas próximas semanas para a Assembleia Legislativa fluminense (Alerj) 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Este ano, o Propag vai gerar economia de R$ 3,1 bi para o Estado do Rio, segundo o Tesouro estadual — Foto: Reprodução/site PortosRio O subsecretário do Tesouro do Rio, Tomaz Leal, disse, nesta segunda-feira (24), que o projeto de criação da Lei de Responsabilidade Fiscal do Estado do Rio de Janeiro trará a rubrica das receitas correntes líquidas extraordinárias (RCLE) – aquelas obtidas, por exemplo, por arrecadação muito acima da média de referência de royalties ou auferidas com a venda de um ativo estatal. Essas receitas, explicou Leal, não poderão ser usadas para pagamento de despesas recorrentes. “Passa a ser prioridade que a receita extraordinária componha a reserva de liquidez”, afirmou o secretário, citando o colchão de recursos previsto para ser usado em áreas como infraestrutura ou em momentos de crise. As afirmações foram feitas no evento “Responsabilidade Fiscal e Sustentabilidade das Contas Públicas do Estado do Rio de Janeiro”, da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV EPGE), no Rio. O projeto para a criação da LRF do Estado do Rio de Janeiro deverá ser enviado nas próximas semanas para a Assembleia Legislativa fluminense (Alerj), pressupõe a ação governamental planejada; o equilíbrio intertemporal das contas; a prevenção de riscos fiscais; a transparência e orientação de médio prazo; e a proteção dos investimentos públicos. “A Lei de Responsabilidade Fiscal vem justamente dar estabilidade financeira para o Estado do Rio de Janeiro, na medida em que cria regras intertemporais e até intergeracionais, de forma que isso não fique ao sabor de receitas extraordinárias ou de gestores que queiram gastar mais ou se endividar mais", destacou Guilherme Mercês. "A ideia é que você tenha regras fiscais permanentes que deem esse equilíbrio de médio e longo prazo para o Estado do Rio de Janeiro”, acrescentou. Mercês afirmou ainda que o objetivo com a lei é criar regramentos para que os governantes preservem a sustentabilidade das contas públicas. Para atingir o objetivo, ela contará com cinco pilares: sustentabilidade fiscal; proteção do acordo do Estado com a União; blindagem do petróleo para evitar a volatilidade na receita; criar regras e instrumentos de planejamento; e aprimorar o controle de despesas obrigatórias, especialmente com pessoal. Período de transição Mercês lembrou ainda que a lei prevê um período de transição, para que o próximo governador eleito tenha tempo de incorporar as mudanças previstas no projeto sem que as finanças estaduais fiquem engessadas. O secretário afirmou que tem a expectativa de que a nova lei seja aprovada ainda este ano na Alerj. “O Rio de Janeiro tem um histórico de diversas vezes ter quebrado ou quase quebrado e é isso que a lei pretende evitar no futuro”, frisou. Sobre as medidas já tomadas pela atual gestão com o objetivo de recompor as contas fluminenses, Mercês afirmou que o Estado do Rio tem um “problema crônico” de ICMS, mas ponderou que os resultados da arrecadação do imposto este ano mostram a efetividade da ação de ajuste. Segundo ele, este ano a arrecadação de ICMS no setor de combustíveis cresceu 40% frente ao ano passado. Considerando o período desde a posse do atual governador, Ricardo Couto, no fim de março, o avanço do volume arrecadado de ICMS sobre o setor de combustíveis cresceu 77% na comparação com igual período de 2025. Mercês também destacou que o setor de supermercados este ano arrecadou 50% a mais de ICMS frente a igual período do ano passado. “E é claro que ninguém está comendo e bebendo 50% a mais que no ano passado”, disse Mercês, O secretário destacou que, até o momento, o Rio arrecadou R$ 6 bilhões a mais de ICMS em 2026 do que no ano passado até o fim de julho. Reestruturação das dívidas dos Estados Mercês lembrou ainda que a adesão do Estado ao Propag, o programa de reestruturação das dívidas dos Estados, reduziu a parcela mensal de pagamento do serviço da dívida de R$ 400 milhões para R$ 100 milhões. Este ano, disse, o Propag vai gerar uma economia de R$ 3,1 bilhões para o Estado. Além disso, o Rio discute a reestruturação de uma dívida de R$ 26 bilhões com bancos privados. Mercês lembrou que o Estado debate com o BNDES e outras instituições formas de reestruturar o débito com os bancos privados. O Estado fechou um acordo com o Banco Mundial e negocia com BNDES e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para trocar a dívida mais cara com os bancos privados por débitos com as instituições de fomento, que têm taxas mais baratas.
Proposta de LRF do Rio proibirá uso de receita extraordinária para pagar despesa corrente
Projeto para a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal do Estado do Rio deverá ser enviado nas próximas semanas para a Assembleia Legislativa fluminense (Alerj)









