Segundo o ministro da Fazenda, apesar das dificuldades enfrentadas por empresas e segmentos específicos, uma série de indicadores mostra “pujança” em diferentes setores 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (21) que o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia não deve ser interpretado como sinal de uma crise generalizada na economia brasileira. Segundo ele, apesar das dificuldades enfrentadas por empresas e segmentos específicos, uma série de indicadores mostra “pujança” em diferentes setores. “Nós não estamos falando de crise, o que é bem importante colocar. Tem uma série de dados da economia brasileira que mostram pujança em vários setores”, afirmou em entrevista à Globo News. Para o ministro, há fatores específicos que ajudam a explicar as dificuldades enfrentadas pela Casas Bahia e por segmentos mais sensíveis ao crédito, mas eles não justificam atribuir o episódio a uma crise generalizada da economia. “Há uma série de elementos que explicam, em grande medida, o que está acontecendo, mas que não justificam um argumento político mais escandaloso sobre crise geral, porque não há”, afirmou. O ministro reconheceu, porém, que o nível elevado dos juros pesa especialmente sobre o varejo, por ser um setor dependente de crédito tanto na relação com fornecedores quanto nas vendas aos consumidores. “Quando você tem um cenário de juros apertado, é claro que você tem uma diminuição da atividade que é muito dependente de crédito”, disse. Segundo Durigan, esse efeito faz parte do próprio funcionamento de uma política monetária contracionista. Durigan disse ainda que, diante do período eleitoral e das incertezas na economia, é importante separar problemas específicos de determinadas empresas do agregado da atividade. Segundo ele, dados de vendas do varejo, faturamento de shopping centers e geração de empregos não sustentam, na avaliação do governo, um diagnóstico de crise disseminada. O ministro afirmou que as vendas no varejo cresceram 2% entre junho e julho e destacou que mudanças nos hábitos de consumo têm alterado a composição do setor, com avanço mais forte do comércio eletrônico. Segundo ele, o movimento ocorre desde a pandemia e ajuda a explicar dificuldades enfrentadas por modelos tradicionais de negócios. Ele afirmou ainda que, em uma comparação histórica mais ampla, não houve crescimento generalizado das falências e recuperações judiciais no país. Segundo o ministro, houve, ao contrário, redução desses processos, e o varejo aparece atrás de setores como a indústria. Dario Durigan — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo