A recuperação judicial da Casas Bahia, com mais de R$ 17 bilhões em dívidas, é apenas o caso mais recente de uma crise que atinge grandes redes do varejo brasileiro. Nos últimos anos, empresas fecharam lojas, reduziram operações e anunciaram grandes reestruturações. A explicação mais óbvia seria a de que o brasileiro parou de comprar, diz a colunista do Estadão Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax. “Só que os dados mostram um detalhe inconveniente: o varejo cresceu 0,5% em junho”.PUBLICIDADENo Fala, Duquesa! desta semana (veja o vídeo completo acima), a colunista lembra que 82% das famílias brasileiras estão endividadas e quase 30% têm contas em atraso. Mas esses dados contam apenas um pedaço da história, porque o consumidor mudou bastante.Há alguns anos, o fato de uma empresa ter lojas em vários lugares representava uma grande vantagem. Mas o celular facilitou a vida dos consumidores. Agora, qualquer pessoa com um smartphone na mão pode ter acesso a qualquer produto, pelo menor preço e no menor tempo possível. “Hoje a loja pode estar do seu lado, do outro lado do País ou no exterior. Para o consumidor, isso interessa muito pouco. Ele quer preço, conveniência e produto bom.”Veja tambpemReforma tributária: brasileiro se assusta com alíquota de 28%, mas já paga imposto maiorReforma tributária: Qual será a alíquota do IBS e da CBS? O mercado já fez suas estimativasNa opinião da colunista, o varejo está apegado a um modelo que não existe mais. “E, nesse caso, resta recorrer aos famosos remédios antigos. Quando o concorrente começa a incomodar, pede para Brasília colocar mais um impostinho. Vamos proteger o varejo nacional.” PublicidadePara ela, o mercado de carros está dando uma demonstração maravilhosa de como isso não funciona mais. “As montadoras tradicionais pressionaram pelo aumento do imposto de importação dos veículos eletrificados. O imposto desses veículos chegou a 35%. Só que a venda desses veículos eletrificados continuou crescendo e batendo recorde atrás de recorde no Brasil.”Segundo a Duquesa, talvez o consumidor simplesmente tenha gostado do produto, da tecnologia, do preço e da proposta. Impostos podem encarecer o concorrente, mas não fazem o consumidor esquecer por que ele passou a considerá-lo. Isso vale para carros, marketplaces e para o varejo em geral. Casas Bahia pediu recuperação judicial na segunda-feira, 17 Foto: Lílian CunhaProgramaTodas as quintas-feiras, às 9h30, a Duquesa de Tax faz reacts (comentários sobre outros vídeos ou entrevistas) do noticiário econômico no Estadão. Além disso, tem o programa semanal Não vou passar raiva sozinha. Os vídeos inéditos vão ao ar sempre às segundas-feiras, às 9h30, para assinantes do Estadão. Cortes do programa são distribuídos ao longo da semana nas redes sociais. A atração também tem uma versão em podcast.Siga a Duquesa de Tax no EstadãoNão vou passar raiva sozinha no SpotifyNão vou passar raiva sozinha no Apple PodcastsVale ler tambémBrasil é uma potência agroambiental à espera de uma visão de paísVenda da Rumo entra na fase final com Grupo México, Cofco e Bunge no páreoFalta de infraestrutura de IA limita crescimento de startups brasileirasPublicidade
O que o poder de escolha do consumidor revela sobre a crise da Casas Bahia
No Fala, Duquesa! desta semana, colunista discute sobre os motivos que levaram a rede de varejo a pedir recuperação judicial com uma dívida de R$ 17 bilhões













