Foi só as Casas Bahia anunciarem o pedido de recuperação judicial para aparecer, mais uma vez, o diagnóstico preferido das redes sociais: o Brasil quebrou, ninguém compra mais nada e o governo acabou com os empresários. Não importa que os dados digam outra coisa. Para esse tipo de conteúdo, uma empresa em crise basta para decretar a falência de um país inteiro e esquecer o sistema econômico que vivemos.

O Grupo Casas Bahia chegou à Justiça declarando 17,3 bilhões de reais em dívidas. Com o pedido vieram o fechamento de 298 lojas e a demissão de aproximadamente 3 mil trabalhadores. A situação é grave, evidentemente, e não acontece de maneira isolada. O Grupo Toky, dono da Tok&Stok e da Mobly, pediu recuperação judicial com cerca de 1,1 bilhão de reais em dívidas. O GPA, por sua vez, recorreu à recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente 4,5 bilhões de reais.

O fato de várias empresas enfrentarem dificuldades ao mesmo tempo merece atenção. O problema começa quando casos diferentes são colocados no mesmo saco e utilizados como prova de uma suposta quebradeira generalizada. Cada empresa chegou à crise por um caminho próprio, atravessado por decisões societárias, endividamento, falhas de estratégia, mudanças no mercado e, claro, pelo cenário econômico.