Enquanto aguarda uma decisão da Justiça de São Paulo sobre seu pedido de recuperação judicial, o Grupo Casas Bahia já deu início a negociações com grupos de credores. Com dívidas de R$ 17,3 bilhões, a varejista tem concentrado esforços, segundo pessoas a par das discussões, na manutenção dos estoques e na continuidade das suas operações para manter as lojas abertas. Há relatos de fornecedores suspendendo a entrega de mercadorias e de ações de despejo em imóveis alugados onde há unidades da companhia. Em nota enviada ao GLOBO, a empresa afirmou que “segue operando normalmente” e que tem atuado “de forma preventiva para minimizar eventuais impactos pontuais no abastecimento e nas entregas”. Entre as medidas adotadas, segundo a varejista, está o ajuste dos prazos de entrega de alguns pedidos. “A companhia reforça que está em diálogo constante com seus parceiros comerciais e fornecedores, que estão reafirmando o apoio à empresa de maneira muito forte e colaborativa. Agradecida por esse reconhecimento, a Casas Bahia segue trabalhando para assegurar as melhores condições e continuidade da operação”, diz a nota. Segundo um fabricante ouvido pelo GLOBO, após a divulgação de que a Casas Bahia protocolou na Justiça um pedido de recuperação judicial, pedidos de mercadorias cujas entregas estavam previstas para as próximas semanas foram suspensos e tiveram o modelo de pagamento alterado. Antes, os produtos eram enviados para as lojas e centros de distribuição da varejista com prazo de pagamento de 45 a 90 dias, a depender do contrato. Agora, a empresa fornecedora passou a exigir pagamento à vista antes do envio das mercadorias. Fontes próximas à varejistas dizem que há mais casos do tipo em curso. — Todos os fornecedores estão preocupados, é uma porta que fica restrita — disse uma fonte. Crise nas Casas Bahia 1 de 19 Casas Bahia entra em recuperação judicial. Na foto, loja na Avenida Visconde de Pirajá, 161, Ipanema, fechada. — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 2 de 19 Casas Bahia entra em recuperação judicial — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 19 Publicidade 19 fotos 3 de 19 Vendedor das Casas Bahia de Bonsucesso troca o preço da TV, com desconto de mais de R$ 100 — Foto: Lucas Tavares/Agência O Globo 4 de 19 1998 - Problemas com alta de juros no mercado — Foto: Wania Corredo X de 19 Publicidade 5 de 19 Michael Klein, dono da Casas Bahia, na loja em Santa Cruz — Foto: Jorge William 6 de 19 2003 - Inauguração de loja da Casas Bahia na Rua do Catete, com ofertas e banda de música na porta — Foto: André Teixeira X de 19 Publicidade 7 de 19 Fabiano Augusto, o garoto-propaganda da Casas Bahia — Foto: Divulgação /e-mail 8 de 19 Fachada da Casas Bahia e do Ponto frio na Estrada do Cacuia, na Ilha do Governador — Foto: André Teixeira X de 19 Publicidade 9 de 19 Natal 2019 - Loja da Uruguaiana não teve movimento bom — Foto: BRENNO CARVALHO / AGÊNCIA O GLOBO 10 de 19 2021 - Natal Híbrido , centro de distribuição da Casas Bahia em Duque de Caxias — Foto: Domingos Peixoto / Agência o Globo X de 19 Publicidade 11 de 19 2003 - Casas Bahia com juros menores, na Tijuca — Foto: Ricardo Ayres 12 de 19 Michael Klein, CEO da Casas Bahia — Foto: Fabio Rossi X de 19 Publicidade 13 de 19 Garoto-propaganda da Casas Bahia — Foto: Divulgação / E Mail 14 de 19 2014 - Investimento do varejo em áreas próximas a comunidades. Inauguração da Casas Bahia em Ramos, no Complexo do Alemão — Foto: Leo Martins / Agência O Globo X de 19 Publicidade 15 de 19 2020 - Centro de Distribuição da Via Varejo . REABERTURA DESENCADEIA OPERAÇÃO LOGÍSTICA DE GUERRA NO VAREJO E INDÚSTRIA - Retomada gradual do comércio desencadeou uma operação de guerra na logística da indústria e no varejo — Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo 16 de 19 Casas Bahia entra em recuperação judicial. Na foto, loja na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 796 , fechada. — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 19 Publicidade 17 de 19 Loja na Avenida Visconde de Pirajá, 161, Ipanema, fechada. — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 18 de 19 Casas Bahia em 1999 — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo X de 19 Publicidade 19 de 19 Casas Bahia em 2002 — Foto: André Teixeira Vários fabricantes de eletrodomésticos e eletrônicos estão na lista de cerca de 28 mil credores da varejista, como Samsung (R$ 937,6 milhões), Electrolux (R$ 700 milhões), Whirpool (R$ 635,9 milhões), LG (R$ 623,7 milhões), Motorola (R$ 619 milhões) e Lenovo (R$ 137 milhões). No balanço do segundo trimestre, em que relatou prejuízo de R$ 10,1 bilhões, divulgado no domingo, pouco antes do pedido de recuperação, a companhia já citava dificuldades de repor estoques nos “níveis originalmente planejados”. O patamar caiu de 95 dias em 31 de março para 75 em 30 de junho. Pedidos de despejo Na quarta-feira, o grupo conseguiu na Justiça proteção contra a cobrança de credores. Na decisão, a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, também determinou que fornecedores deverão manter a entrega de produtos já em trânsito para lojas e centros de distribuição da Casas Bahia. A varejista também enfrenta ações de despejo por inadimplência. Na Justiça de São Paulo há casos envolvendo imóveis ocupados pela empresa em diferentes municípios, como Ribeirão Pires, São Sebastião, Ferraz de Vasconcelos e Olímpia, mas a juíza Tainá de Oliveira determinou que seja mantida a prestação dos contratos essenciais, o que inclui o fornecimento de energia elétrica e água e a locação de imóveis operacionais da companhia. Dentre os aluguéis em atraso estão dois grandes galpões logísticos ocupados pela Casas Bahia em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e em São José dos Pinhais, perto de Curitiba. Os imóveis pertencem ao fundo imobiliário HSI Logística, administrado pela Apex Group e gerido pela HSI. Segundo a gestora, a Casas Bahia pagou os aluguéis relativos ao mês de julho, mas as faturas vencidas em agosto ainda não foram quitadas. Na lista de credores, o fundo aparece como tendo a receber R$ 4,5 milhões da Casas Bahia. Suspensão de ações Em fato relevante, a gestora informou que a Casas Bahia foi notificada sobre a “possibilidade de aplicação das penalidades contratuais previstas”. — A Casas Bahia deve manter os pagamentos dos aluguéis correntes, ou seja, após o pedido de recuperação judicial, e pode pleitear perante o juízo da recuperação a suspensão de ações de despejo — diz a advogada Raysa Moraes, sócia do Moraes & Savaget Advogados.