Em frente a uma loja fechada da Casas Bahia, Flávio Bolsonaro gravou um vídeo de campanha para criticar o governo Lula. A cena deu uma imagem simples a um argumento repetido pela oposição: o número de empresas em recuperação judicial cresceu 65,8% entre 2023 e 2026, e esse aumento seria um retrato da má condução econômica do país.
Esse debate me levou de volta às primeiras aulas de microeconomia na faculdade. Até então, eu associava o curso a temas como inflação, juros, emprego e mercado financeiro. Foi ali que entendi que a economia oferecia, sobretudo, uma forma de olhar para as escolhas em um mundo de recursos escassos.
Na prática, estava desenvolvendo as ferramentas para investigar as causas de um resultado, comparar alternativas e observar como uma escolha repercutia para além de seu efeito mais imediato.
No caso das recuperações judiciais, investigar as causas exige reconstruir a cadeia que liga a condução econômica do governo às dificuldades das empresas: os estímulos fiscais elevam as pressões inflacionárias, enquanto a dificuldade de cumprir as metas fiscais e estabilizar a dívida aumenta a incerteza sobre as contas públicas e eleva os prêmios de risco.
Essa combinação dificulta a redução da Selic; assim, juros mais altos, por sua vez, encarecem as dívidas, restringem o crédito e reduzem o consumo financiado, pressionando empresas endividadas e setores mais dependentes de financiamento.










