A Baianeira é eleito o melhor restaurante brasileiro da cidade pelo Prêmio SP Gastronomia 2026. Confira outros bons endereços na categoria. 2º lugar: CLANDESTINA Eis mais um projeto da chef Bel Coelho, também à frente do Cuia, que lá no começo promovia disputados jantares secretos em sua casa. Há mais de 15 anos, esses convescotes deram origem ao Clandestino, com menus degustação que exaltavam os ingredientes nativos e a cultura alimentar brasileira. Pois em 2024 ela retomou o espírito da casa com o Clandestina, em um bonito imóvel da Vila Madalena. Em versão mais informal, o restaurante tem um cardápio composto por pratos para compartilhar, a exemplo do crudo de gado curraleiro com cogumelo yanomami e picles de melão (foto, R$ 63) e do guioza de pato com tucupi, salada de ervas, azeite de pimentas brasileiras e amendoim (R$ 65, quatro unidades). Também faz bonito o peixe grelhado com purê de pupunha, efó de quiabo e molho de coco e gengibre (R$ 102). Se a noite pede um drinque, uma opção é o azulão (R$ 52), de uísque com chá-mate, mel de jataí com lavanda e gengibre, limão e uísque defumado. Pinheiros: Rua Girassol 833 (94145-9589). Seg a sex, das 19h às 23h. Sáb, das 12h30 às 16h e das 19h às 23h. Dom, das 12h30 às 17h30. 3º lugar: TERRAÇO NOTIÊ BY PRICELESS A vista privilegiada do Centro de São Paulo é só um dos atrativos do restaurante, que fica no topo do Shopping Light. O espaço reúne restaurante, bar, terraço e sala de música em uma proposta que integra gastronomia, coquetelaria e programação cultural. A cozinha fica a cargo do competente Onildo Rocha, que percorre o Brasil em um menu constantemente renovado, no qual valoriza ingredientes nativos e técnicas contemporâneas. Destacam-se pratos como o prime rib suíno glaceado (R$ 89), servido com maionese de maçã-verde, hortelã, salsão e mel nativo, e o arroz de caju (R$ 79), preparado com miniarroz, glacê de caju, tucupi preto, caju assado e emulsão de pimenta-de-cheiro. Na sobremesa, o entremet de erva-mate (R$ 39), com geleia de cupuaçu e crocante de castanha de caju, reforça a proposta de explorar sabores brasileiros sob um olhar contemporâneo. Para acompanhar, a carta de coquetéis aposta em diferentes releituras do martíni e em criações autorais como o veredas priceless (R$ 52), preparado com gim Tanqueray Ten, Cointreau, Aperol, limão, xarope de açúcar e espumante. Centro: Shopping Light (acesso pelo estacionamento). Rua Formosa 157 (5043-3822). Seg, das 12h às 15h30. Ter e qua, das 12h às 23h. Qui a sáb, das 12h às 2h. Dom, das 12h30 às 18h. Arroz de caju do chef Onildo Rocha no Terraço Notiê by Priceless, 3º lugar na categoria — Foto: Divulgação ALTAR COZINHA AFRO POP ANCESTRAL Nascido no Recife, o restaurante da chef pernambucana Carmen Virgínia desembarcou em 2023 na Vila Madalena e no último ano mudou-se para Pinheiros, onde ocupa um colorido salão sem abrir mão das raízes afro-brasileiras que consagraram a casa. É nas lembranças da infância, dentro de um terreiro de candomblé, que Dona Carmen, como é conhecida, busca referências para servir pratos como a carne de sol de ancho com feijão-verde, linguiça, bacon, farofa da casa e pirão de queijo de coalho (R$ 97). Outro hit é o arroz de puxada de rede à moda caymmi (R$ 97), feito com frutos do mar e um toque especial de bacon. Para começar os trabalhos, tem dupla de pastel de festa (R$ 28), típico pernambucano com recheio de carne e passado no açúcar, e caldinho de sururu (R$ 30). A carta de drinques, agora assinada por Marquinhos Felix, traz boas sugestões para acompanhar, como o guava cascão (R$ 45), de gim, purê de goiabada, Aperol e mix de limão, que vem guarnecido de folhas de hortelã e cubos de queijo de coalho flambado. Pinheiros: Rua Simão Álvares 445 (3034-4260). Qua a sáb, das 12h às 16h e das 18h às 22h. Dom, das 12h às 17h. BALAIO Se no Mocotó o chef Rodrigo Oliveira consolidou sua leitura dos sabores do sertão nordestino, no restaurante instalado no térreo do Instituto Moreira Salles ele amplia esse repertório. O próprio nome sintetiza a proposta: reunir, em um mesmo cesto, ingredientes, técnicas e tradições de diferentes regiões do país. Assim, pintam receitas como o pastel de angu recheado de porco, ora-pro-nóbis, queijo Mantiqueira e fubá crioulo (R$ 32, dois). Outra sugestão para começar os trabalhos é a costelinha de porco defumada com barbecue de goiabada, saladinha de repolho e tortilha de mandioca (R$ 65). Com purê de banana-da-terra, espinafre e castanha-do-pará, o pirarucu na brasa (R$ 145) é opção da lista de pratos principais, que traz ainda arroz de linguiça bragantina, que leva costelinha de porco assada lentamente, quiabo grelhado e picles de abóbora (R$ 116). O vereda, por sua vez, é composto de repolho assado, purê de castanhas, vegetais da estação na brasa, creme de ervilhas e granola de milho (R$ 98). Durante a semana tem almoço executivo, em que se escolhe o prato principal e, por mais R$ 39, acrescenta-se focaccia da casa, entrada do dia e sorvete. Vale dar uma conferida na carta de drinques, que traz sugestões como o mamangava, de uísque infusionado com chá de flor de cerejeira, licor St. Germain, maracujá, limão-siciliano, mel e aquafaba (R$ 57). Bela Vista: IMS. Av. Paulista 2.424 (97269-0423). Ter a qui, das 12h às 16h. Sex e sáb, das 12h às 16h e das 19h às 22h. Dom, das 12h às 17h. BANZEIRO Catarinense de origem, Felipe Schaedler se tornou um dos expoentes da culinária manauara ao abrir por lá o Banzeiro, em 2009, onde deu toques contemporâneos à culinária tradicional da região. Há sete anos a casa ganhou uma filial paulistana, que ocupa um salão com referências à cultura indígena, como a grande canoa que decora uma das paredes. O cardápio mescla criações da matriz com sugestões exclusivas, como o filé de pirarucu na brasa com escamas de banana, queijo meia-cura e batata bolinha no forno a lenha (R$ 98). A moqueca banzeiro (R$ 122) traz esse mesmo peixe em versão defumada com leite de coco, banana, castanha e dendê, acompanhado de arroz e farinha do Uarini. No capítulo de entradas, estão outras criações icônicas do repertório do chef, caso da formiga saúva com espuma de mandioquinha (R$ 30) e das costelinhas de tambaqui ao molho agridoce (R$ 69), para comer lambuzando as mãos. Apresentado como “o clássico dos clássicos” de Manaus, o cupuaçu com brigadeiro (R$ 34) cumpre o papel de encerrar a refeição. Itaim Bibi: Rua Tabapuã 830 (2501-4777). Seg a sex, das 11h30 às 15h30 e das 19h às 23h30. Sáb, das 12h às 16h e das 19h à meia-noite. Dom, das 12h30 às 17h. BAR DA DONA ONÇA Instalado sob as curvas do icônico Edifício Copan, o Bar da Dona Onça é o território da chef Janaína Torres desde 2008. Ali, a cozinheira faz uma leitura refinada da culinária popular brasileira sem perder a essência, transformando receitas triviais em pratos cheios de personalidade. É o caso do fígado em tiras em molho de cebola, que é servido com chips de jiló (R$ 81), ou então das moelinhas de frango ensopadas com purê de tubérculos, folhas orgânicas e picles de cebola (R$ 84). Outros hits locais são a galinhada moderna (R$ 130), uma versão contemporânea da tradicional galinhada com quiabo e gema curada, e o picadinho de carne com arroz, ovo frito, tartare de banana e creme de feijão (R$ 101). Alternativa às sugestões à la carte, o menu “Celebrar, Ousar e Amar” (R$ 290) é uma degustação de sete etapas que inclui charcutaria artesanal, canapés e pratos como o filé de porco ao molho de pimentas brasileiras acompanhado de purê de mandioquinha e tucupi. Vale a pena guardar espaço para sobremesas como a que leva o nome de eu sou feliz: ela sobrepõe camadas de pão de ló, sorvete de baunilha, calda de chocolate, caramelo cremoso, morango, chantilly e crocante de castanhas (R$ 54). República: Av. Ipiranga 200 (3257-2016). Seg a sáb, das 12h às 23h. Dom, das 12h às 17h. BENEDITA Leia em Bom e barato. CAPIM SANTO Dentro do histórico Solar Fábio Prado, o restaurante parece um oásis em plena Avenida Faria Lima, com salões voltados para um amplo jardim que convida a refeições sem pressa. É o Brasil quem dita o ritmo do cardápio assinado pela chef Morena Leite, tudo com um punhado de criatividade. Isso fica evidente logo nas sugestões para começar, com o miniacarajé de capim-santo com vatapá de algas (R$ 56) e o pastel de vento acompanhado de carne-seca com abóbora (R$ 57). A brasilidade segue em pratos como a galinha-d’angola com miniarroz, quiabo e ora-pro-nóbis (R$ 175) e o pirarucu grelhado com vinagrete de feijão-de-Santarém, farofa de Uarini, tucupi e purê de banana (R$ 142). Trivialidade executada com esmero, a fraldinha grelhada com farofa, banana, ovo frito, arroz e tutu de feijão (R$ 145) é outra opção que agrada. Por fim, o bolo quente de milho vem incrementado com sorvete de sucrilhos e crocante de fubá (R$ 42). Jardim Paulistano: Av. Brigadeiro Faria Lima 2.705 (98189-0082). Ter a dom, das 10h às 18h. A CASA DO PORCO Em uma esquina movimentada da República, A Casa do Porco ajudou a redefinir a cena gastronômica do centro de São Paulo ao transformar um ingrediente historicamente associado à cozinha caipira em protagonista da alta gastronomia brasileira. Sob o comando de Jefferson Rueda, a casa construiu uma identidade única ao valorizar o porco em sua integralidade, combinando pesquisa e uma boa dose de criatividade. Depois de completar dez anos, o endereço continua em constante movimento, como prova o menu degustação lançado em 2026 (R$ 348 por pessoa ou R$ 617 com harmonização). Batizado de “Tempo dos Sabores”, ele tem oito etapas e inclui criações como o tacacá de porco, que revisita o clássico amazônico ao unir pele de porco, tucupi, camarão, jambu e pururuca, e o bao de pancetta com tucupi negro e repolho-roxo agridoce. O menu à la carte também foi revisitado, priorizando pedidas para compartilhar como o porco à passarinho com codeguim, mostarda e alho frito (R$ 60). República: Rua Araújo 124 (3258-2578). Seg a sáb, das 12h às 23h. Dom, das 12h às 17h. A CASA DO SAULO PAULISTA A culinária amazônica do chef Saulo Jennings ganhou novo endereço. Depois de breve hiato, a Casa do Saulo voltou a funcionar em um casarão de 1914, a poucos passos da Avenida Paulista. O imóvel de dois pavimentos e múltiplos ambientes, cercado por um agradável jardim, preserva o charme da construção centenária e abriga uma churrasqueira dedicada aos peixes amazônicos, servidos em cortes generosos. Entre eles o filhote (R$ 279), o surubim (R$ 269), a ventrecha de pirarucu (parte da barriga do peixe, R$ 259) e a banda de tambaqui (R$ 319), todos na brasa. Antes dos principais, vale explorar os criativos “tapa-jônicos”, porções para compartilhar inspiradas nas tapas espanholas, como o charutinho de pato (R$ 59), recheado de arroz de pato, com a ave confitada e desfiada, ervas amazônicas e redução de tucupi. Para quem visita a casa pela primeira vez, seguem indispensáveis os clássicos que consolidaram a reputação de Jennings, caso do tacacá (R$ 39), da caldeirada paraense (R$ 139) e do prato que batiza o restaurante: filé de pirarucu grelhado ao molho de castanha-do-pará, acompanhado de banana-da-terra frita e camarão-rosa (R$ 139). Bela Vista: Rua Bela Cintra 954 (92561-1212). Ter, das 12h às 15h. Qua a sáb, das 12h às 15h e das 19h às 23h. Dom, das 12h às 17h. CELEIRO ARIMBÁ Capixaba de origem e pesquisadora dos sabores do interior brasileiro, a chef Angelita Gonzaga transformou um amplo galpão na Vila Romana em um endereço onde milho crioulo, panelas de barro e receitas de família dividem espaço com uma coquetelaria criativa e um ambiente que convida a passar horas à mesa. Entre os preparos mais icônicos está o rojão, um grande espeto de carne suína bem temperada, que pode vir com feijão-tropeiro capixaba, torresmo, vinagrete e arroz (R$ 158,90, para dois). Outra sugestão é o arroz de costela (R$ 53,90), bem caldoso, servido com couve, banana-da-terra e um belo ovo frito. Pedida indispensável, o pastel de angu (R$ 32,90) tem massa de milho branco crioulo e ganha diferentes recheios, como carne moída e linguiça caipira. Vai bem com uma caipirinha de cachaça da casa, feita de três limões com rapadura. Vila Romana: Rua Caio Graco 226A (93454-9337). Sex, das 12h às 17h. Sáb e dom, das 12h às 18h. CONCEIÇÃO DISCOS & COMES Leia em Bom e barato. CUIA Depois de anos pesquisando biomas, comunidades tradicionais e cadeias produtivas pelo país, a chef Bel Coelho encontrou no Cuia o espaço para transformar esse conhecimento em uma cozinha cotidiana, sem abrir mão da sofisticação. O restaurante, que funciona também como bar e café, nasceu em 2020 junto à Livraria Megafauna, no térreo do Copan, onde está desde então. Seja no salão apertadinho ou nas mesas externas, vale pedir de manhã o coadão (R$ 9), sempre feito de cafés de qualidade, ao lado de um cuscuz de milho com creme de queijos Quina e Quark, chips de batata-doce e ovo frito (R$ 37). Para uma refeição, configuram boas escolhas o risoto de paio com favas verdes, abóbora, queijo Tulha e couve-manteiga (R$ 60) e o arroz de lula e camarão com ervilhas e tucupi (R$ 98). Tem ainda sanduíches, petiscos, drinques e sobremesas bem elaboradas, caso da choux com curau de milho crioulo, goiabada e sorvete de queijo (R$ 36). Centro: Av. Ipiranga 200. Seg, das 10h às 16h. Ter a sex, das 10h às 22h. Sáb, das 10h às 23h. Dom, das 10h às 17h. CUSCUZ DA IRINA Depois de conquistar o público na Vila Madalena, a chef potiguar Irina Cordeiro levou seu Cuscuz também para a Santa Cecília, ampliando o alcance de sua cozinha profundamente ligada às raízes nordestinas. Nos dois endereços, que compartilham a atmosfera de casa de família, a proposta é valorizar ingredientes, receitas e memórias afetivas da região, tendo como protagonista o cuscuz de milho, preparado bem soltinho e presente em boa parte do cardápio. No rala bucho (R$ 62), ele ganha a companhia de galinha cozida, salada de feijão-fradinho, coentro e abóbora assada, e, no sou praieiro (R$ 71), vem com peixe frito no dendê, coco crocante, picles de maxixe, coentro e molho lambão. Outras receitas típicas também são reinterpretadas com delicadeza, caso da casquinha de siri com farofa de cuscuz (R$ 35) e da pastinha sertaneja (R$ 42), feita de castanha-de-caju e feijão-fradinho, que vem junto de pão de macaxeira e picles de maxixe. Abertas desde cedo, as lojas também oferecem café da manhã, com itens como tapioca e bolo de macaxeira. Vila Madalena: Rua Iperó 47. Ter a dom, das 9h às 17h. Santa Cecília: Rua Fortunato 224. Ter a sáb, das 10h às 18h. Dom, das 10h às 17h. DALVA E DITO Quase vizinho ao D.O.M., o Dalva & Dito nasceu do desejo de Alex Atala de celebrar a cozinha brasileira cotidiana, de diferentes regiões do país. Em um ambiente elegante, mas bastante acolhedor, o chef serve alguns clássicos que figuram no cardápio desde a abertura, caso do rubacão (R$ 114), versão do clássico baião-de-dois nordestino, aqui acompanhado de mandioca frita e queijo de coalho, e do bife à milanesa com salada de batata (R$ 107). Outro que tem lugar cativo é o filé-mignon com aligot (R$ 175), um purê de batata francês bem “queijudo”. Durante a semana, tem ainda o prato do dia: segunda, por exemplo, é a vez do virado à paulista (R$ 109), e quarta, da feijoada (R$ 109). Entre as sobremesas, ganha destaque o suspiro e morango (R$ 46), um creme batido acompanhado de morangos frescos e suspiro, finalizado na mesa com azeite e flor de sal. Jardim Paulista: Rua Padre João Manuel 1.115 (3068-4444). Seg a sáb, das 12h às 15h e das 19h às 23h. Dom, das 12h às 16h. DASELVA Faz três anos que a amazonense Yanna Freitas e o colombiano naturalizado brasileiro Jorge Aguirre transformaram um estreito salão do Centro em vitrine da culinária amazônica. Agora, o DaSelva ganhou uma segunda e portentosa unidade na Vila Nova Conceição, mais espaçosa e com ambiente marcado por referências indígenas. Na cozinha, permanecem os pratos que fizeram a fama da casa, como a banda de tambaqui (R$ 190, para duas pessoas), que chega com a pele crocante junto de farinha de Uarini, baião de dois, vinagrete e banana-da-terra assada. Outra pedida tradicional de lá é o pato no tucupi (R$ 105), cujo preparo leva jambu e vem acompanhado de arroz, assim como o pirarucu de casaca, em que o peixe é seco, desfiado e combinado a farinha de Uarini, ovos, batata palha e banana-da-terra. Vale passar ali só para tomar um tacacá (R$ 42), bem temperadinho, ou um açaí à moda tradicional, servido com farinha de tapioca (R$ 30). República: Rua da Consolação 41 (91690-9989). Ter a sex, das 12h às 22h. Sáb, das 8h às 22h. Dom, das 8h às 17h. Vila Nova Conceição: Av. Hélio Pellegrino 204. Ter a sex, das 12h às 22h. Sáb, das 12h às 22h. Dom, das 12h às 17h. FITÓ Em uma charmosa casinha azul e branca de Pinheiros, a chef Cafira Foz desenvolve uma cozinha brasileira que tem o Piauí como ponto de partida, mas dialoga com ingredientes, técnicas e referências de diferentes partes do mundo. O sucesso da proposta levou a chef a expandir o negócio para os prédios da Pinacoteca de São Paulo, sem que a matriz perdesse o caráter acolhedor e intimista que a tornou conhecida. O cardápio valoriza produtores artesanais, ingredientes brasileiros e receitas de forte inspiração afetiva, reinterpretadas com criatividade. A carne serenada (R$ 82) é um contrafilé curado na casa guarnecido de pirão de leite, molho madeira, salada de palmito, cebolas assadas e farofa. Tem também sobrecoxa assada com arroz, quiabo, abóbora, milho, salada de couve e farofa de quiabo (R$ 79), além de um bom baião com paçoca de carne de sol (R$ 79), que ganha uma versão com paçoca de cogumelos (R$ 79). A experiência se completa com uma carta de drinques autorais como o gaitada (R$ 42), de gim com licor de bergamota e soda de coentro. Pinheiros: Rua Cardeal Arcoverde 2.773 (99674-2745). Seg a Sex, das 12h às 15h30 e das 19h às 23h. Sáb, das 12h às 17h e das 19h às 23h. Dom, das 12h às 18h. JESUÍNO BRILHANTE Leia em Bom e barato. JIQUITAIA É na charmosa casinha do Paraíso que o chef Marcelo Corrêa Bastos transforma viagens, pesquisas e lembranças de diferentes cantos do país em um cardápio cheio de referências. Entre as primeiras pedidas, destaca-se o delicado minissanduíche de camarão (R$ 44), servido em unidade e recheado com abacate, picles e nori. Dos principais, são boas escolhas o arroz de pato no tucupi (R$ 123), com magret em ponto mal passado, e a bochecha de porco grelhada (R$ 107), que chega à mesa na companhia de pamonha e pimenta-de-cheiro. Aos sábados, a feijoada (R$ 95) aparece em versões light ou completa, enquanto os domingos são reservados para a leitoa à pururuca (R$ 260), que serve de duas a três pessoas. Aos que buscam um beberico, também há boas opções: o mandasour (R$ 42) é um coquetel composto de cachaça Princesa Isabel, mate e mel de mandaçaia. Paraíso: Rua Coronel Oscar Porto 808 (3051-5638). Ter a qui, das 12h às 15h e das 19h às 22h30. Sex e sáb, das 12h às 16h e das 19h às 22h30. Dom, das 12h às 16h. LENA Trata-se de um endereço de sotaque mineiro tocado pelo chef Mário Santiago. Com passagens por cozinhas como Mocotó e Manioca, além de um estágio no dinamarquês Noma, o cozinheiro da cidade de Araújos combina técnica refinada a receitas inspiradas nas tradições de seu estado natal, valorizando ingredientes brasileiros e pequenos produtores. Há opções como o pão de queijo folhado (R$ 17,50), que a casa faz questão de frisar que não é croissant, e broa de milho mais frango “pinga e frita”, maionese picante e kimchi de couve-manteiga (R$ 37). Na sequência também aparecem boas pedidas, caso da costelinha suína laqueada acompanhada de canjiquinha, kale com ponzu e farofa crocante (R$ 93). A carta de drinques é enxuta, e relaciona autorais como o Jabutiparça (R$ 42), versão do caju amigo com cachaça, compota de jabuticaba e solução cítrica. Pinheiros: Rua Doutor Virgílio de Carvalho Pinto 98 (98854-5100). Ter a sex, das 11h30 às 16h. Sáb, das 12h às 16h e das 19h às 23h. Dom, das 12h às 16h. LOBOZÓ Aberto pelos chefs Marcelo Corrêa Bastos e Gustavo Rodrigues em parceria com o sociólogo e pesquisador da alimentação Carlos Alberto Dória, o Lobozó nasceu com a proposta de valorizar a culinária caipira paulista em uma linguagem contemporânea. Instalado em um salão despojado na Vila Madalena, com direito a uma laje recém-reformada que pode ser reservada para eventos, o restaurante remete aos antigos refeitórios e armazéns do interior, com cozinha aberta e um ambiente pensado para refeições fartas e sem cerimônia. O balcão de frios é um bom jeito de começar. Nele estão pedidas como a língua de boi defumada com mostarda de Dijon e picles de pepino (R$ 48) e o vinagrete de polvo com pimenta-de-cheiro e cambuci (R$ 95). Do cardápio, a lista de principais inclui a porchetta caipira assada (R$ 94), que chega à mesa escoltada por tutu de feijão e salada de repolho, além das sugestões do dia — sábado, por exemplo, tem feijoada e arroz de costela com agrião (R$ 94 cada um). A sobremesa pode ser a tarta de queso Canastra (R$ 46), inspirada na tradicional receita de torta de queijo catalã que aqui ganha uma versão de queijo da Serra da Canastra, mel de abelhas nativas e limão. Vila Madalena: Rua Medeiros de Albuquerque 436 (93056-2146). Seg, qua e dom, das 12h às 16h30. Qui a sáb, das 12h às 23h. PRETO COZINHA Rodrigo Freire encontrou uma maneira muito própria de revisitar os sabores de sua terra. Soteropolitano que trocou a carreira no Direito pela gastronomia, em seu restaurante ele combina técnica contemporânea e apresentações delicadas, sem recorrer aos clichês da cozinha baiana. O salão, todo moderninho e descolado, acompanha a personalidade do cardápio, que começa pelos ótimos bolinhos de peixe com aioli de dendê e molho lambão (R$ 37). Dos principais, o destaque é arroz de xinxim (R$ 74), prato que marcou a infância do chef e que na sua leitura é feito com sobrecoxa de frango desossada ao molho de leite de coco, camarão seco e castanha, mais farofa de banana-da-terra. O baião-de-dois (R$ 94), preparado com cubos de black Angus maturados por dez dias, ganhou ainda uma versão vegetariana (R$ 84), feita de grão-de-bico. Dos drinques, o ébano (R$ 40) é feito de uísque, licor de jenipapo, limão e manjericão. Pinheiros: Rua Fradique Coutinho 276 (97660-6864). Seg a qui, das 12h às 23h. Sex e sáb, das 12h à meia-noite. Dom, das 12h às 18h. QUENTE DA BOCA Cantinho com sotaque mineiro, o restaurante foi aberto pelo publicitário Francisco Soares Montans e funciona também como café. A inspiração vem da fazenda da família do proprietário, em São Sebastião do Paraíso, e se revela em cada detalhe, do ambiente repleto de referências a João Guimarães Rosa à cozinha servida ao longo de todo o dia, sem distinção entre café, almoço ou lanche. O clima é o de uma visita sem hora para acabar: pão de queijo (R$ 9) saindo do forno — aqui, feito com queijo Tulha — e café coado sem pressa, além de quitandas e pratos que privilegiam o conforto. Bom exemplo é o raguzim (R$ 63), um fettuccine com ragu de linguiça e gremolata, mais salsinha fresca e raspas de limão-siciliano, tudo finalizado com um punhado de agrião d’água. Já o angu, clássico das Minas Gerais, é feito com fubá fino e chega cremoso, junto de ragu de linguiça e crispy de couve (R$ 56). Com calda de chocolate e farofinha crocante, a broa recheada com sorvete de baunilha atende pelo nome de “profiteró de minas” (R$ 38). Pinheiros: Rua João Moura 519 (3082-5538). Ter a dom, das 9h às 17h. TORDESILHAS Trinta e cinco anos atrás, enquanto a maioria dos chefs olhava para fora em busca de legitimidade, Mara Salles decidiu olhar para o Brasil. No Tordesilhas, ela transformou — e ainda transforma — ingredientes, receitas e saberes de diferentes regiões do país em protagonistas de uma gastronomia que ajudou a redefinir o que hoje se entende por culinária brasileira contemporânea. Ali, um bom jeito de começar é pela chamada “comissão de frente” (R$ 75, para duas pessoas), entrada que reúne pastéis de camarão, marinada de vegetais, carne-seca confitada em manteiga de garrafa e queijo de coalho com melado. Na sequência, também fazem bonito o pirarucu ao molho de hortaliças e purê de banana-da-terra (R$ 130) e a costelinha de porco confitada, arroz de feijoada e couve (R$ 130). Típico do Paraná, o barreado (R$ 130) é outra marca registrada de Mara: trata-se de uma carne bovina cozida em panela de barro vedada durante pelo menos dez horas, que ganha a companhia de banana-da-terra grelhada e farinha fina de mandioca. Vale finalizar com um creme inglês de pequi com compota de maracujá e suspiros de jatobá (R$ 43). Jardim Paulista: Alameda Tietê 489 (3107-7444). Ter a sex, das 19h às 23h30. Sáb, das 12h às 17h e das 19h30 às 23h30. Dom, das 12h às 17h.