0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 José Alfredo Graça Lima: Os consumidores de renda alta podem ver alguma redução de preços — Foto: Tânia Rêgo/Agência brasil Retaliar os Estados Unidos não faz sentido do ponto de vista econômico, comercial nem eleitoral, avalia o ex-embaixador José Alfredo Graça Lima, principal negociador comercial do Brasil entre 1998 e 2002. Na avaliação dele, não há ganho eleitoral se a medida causar prejuízos adicionais às empresas brasileiras, além dos já provocados pelas tarifas americanas. Acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, no entanto, não significa, neste primeiro momento, retaliar os Estados Unidos, explica Graça Lima. Na sua visão, a medida pode ser uma estratégia para abrir um novo caminho de negociação e mostrar à opinião pública que o governo não está parado. No entanto, pode ser inócua. — A lei brasileira é muito similar à Seção 301, com suas consultas e relatórios. Aqui só não cabe investigação, porque já está mais do que claro quais são as medidas que violam as regras. A questão é o que o Brasil vai oferecer nessa negociação? Se não tiver um ás na manga, acredito que esse movimento vai ser inócuo — avalia Graça Lima, vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). Na avaliação do embaixador, o Brasil está buscando todos os meios para trazer os americanos para a mesa de negociação, o que inclui a representação feita na Organização Mundial do Comércio (OMC). O acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica, no entanto, vai em direção oposto, por prever medidas unilaterais, que só poderiam ser implementadas no âmbito da OMC, caso findo o processo os Estados Unidos se negassem a retirar as tarifas consideradas indevidas. Conhecedor dos meandros da diplomacia comercial, Graça Lima desenha um quadro delicado, mas é categoricamente contra a retaliação: Apesar de abertura de processo, governo Lula deve ter cautela ao aplicar reciprocidade contra produtos americanos: Brasil foi atingido por duas tarifas pela gestão de Donald Trump — O processo na OMC é longo, pode levar um ano. A violação dos artigos 1º e 2º do GATT pelos Estados Unidos é clara. No entanto, mesmo acreditando que o resultado seja favorável ao Brasil, o governo americano não fica obrigado a implementar o que for decidido. Atualmente, os EUA adotam a diplomacia da truculência. Mas também nada garante que vão atender às consultas propostas pela lei brasileira. Pode ser uma forma de ganhar tempo sem praticar um ato hostil. A questão é qual será o desdobramento se o governo Donald Trump decidir responder ou não às consultas. Retaliação é tiro no pé. Eu já disse isso há 30 anos, quando era subsecretário de Comércio Exterior e até fui censurado, mas não me importa. É o que sempre defendi — destaca o embaixador. Graça Lima diz que o diálogo entre os dois países é, hoje, um diálogo de surdos. Das questões apresentadas pelos Estados Unidos na Seção 301, ele avalia que o único ponto que poderia ser negociado seria o etanol. Pix e desmatamento, afirma, não têm discussão possível. Ele destaca ainda que as negociações do governo americano com outros países foram baseadas em demandas "mais executáveis" do que as apresentadas ao governo brasileiro, o que, na sua avaliação, deixa claro o viés político em relação ao Brasil. No entanto, diz que, para negociar, o país terá de fazer alguma oferta aos Estados Unidos.
Retaliar os EUA não faz sentido do ponto de vista econômico, comercial nem eleitoral, diz Graça Lima, ex-negociador do Brasil
Retaliar os EUA não faz sentido do ponto de vista econômico, comercial nem eleitoral, diz Graça Lima, ex-negociador do Brasil











