0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Loja da C&A no Barra Shopping adota novo modelo da varejista — Foto: Divulgação Chegando a meio século de operação no Brasil — com direito a campanha com seu garoto-propaganda histórico, Sebastian Soul —, a C&A está apostando em um novo modelo de loja cuja missão é elevar o volume de vendas de suas lojas físicas. Batizado de Energia e criado juntamente com o escritório de arquitetura internacional Gensler, o conceito troca a vitrine tradicional por fachada aberta, espalha telas digitais com conteúdo sobre a própria marca pela loja, derruba paredes, cria ambientes temáticos mais marcados e aumenta as opções de autoatendimento e checkout híbrido. O novo modelo começou a ser implementado há um ano na loja do Shopping Center Norte, em São Paulo, e também já foi adotado em Campinas. Na semana passada, o CEO Paulo Corrêa recebeu a coluna no Barra Shopping, centro comercial da Zona Sudoeste do Rio que tem uma das maiores C&As do Brasil, com 3,6 mil metros quadrados e 90 mil produtos diferentes. A unidade acaba de virar a terceira loja com o conceito Energia, e o plano é acelerar substancialmente o ritmo de conversão a partir de agora. Neste momento, são 20 lojas em reforma pelo país, inclusive a da Plaza Niterói. — Na loja do Center Norte, o novo modelo aumenta as vendas em dois dígitos (percentuais). Aumenta o fluxo de pessoas e de conversão, porque fica mais fácil entrar na loja, a história fica mais bem contada para o consumidor, ele vê mais o nosso sortimento e passa mais tempo dentro da loja — conta o executivo, enquanto mostra à coluna cada parte da loja nova. — Temos 341 lojas, e a ideia é reformar pelo menos 25 delas por ano. E todas as novas unidades serão abertas com esse novo formato. Loja da ACE no Rio Corrêa faz mistério sobre quanto custa a conversão, mas conta que o investimento total da C&A com reformas e aberturas de novas lojas deve superar R$ 200 milhões: — O investimento é grande, mas ele se paga, porque o impacto no resultado é muito relevante. Além do novo modelo de loja, a C&A também está lançando unidades próprias da ACE, sua marca própria de vestuário esportivo. A primeira foi inaugurada em junho no Shopping Ibirapuera, em São Paulo, justamente onde a rede abriu sua primeira loja no Brasil há 50 anos. O CEO antecipa que já há contrato para abrir uma ACE no Barra Shopping. A unidade será uma das três primeiras da nova rede: — É uma outra fórmula, com produtos e posicionamento diferentes, mais fashion, mais focado no athleisure, que virou um assunto para grandes marcas em todo o mundo — explica. Juros e ‘taxa das blusinhas’ A C&A obteve este ano lucro recorde para um segundo trimestre, de R$ 130 milhões, uma alta de mais de 4%, mesmo com o impacto negativo da Copa e dos juros elevados. — A taxa de juros obviamente implica um desafio maior para o consumo das famílias. Não é uma história excepcional para o varejo. Mas a gente tem conseguido ser bastante resiliente no nível de crescimento. E o único caminho que funciona para isso é justamente o que estamos fazendo aqui, que é evoluir tua proposta — afirma Corrêa, que, fazendo coro aos seus pares do varejo nacional, faz duras críticas ao fim da chamada “taxa das blusinhas” em pleno ano eleitoral: — É uma distorção. O lógico é que seja revista. Qualquer um com um olhar mais equilibrado para esse assunto vai ver que isso não faz sentido.