“Não adianta ficar falando em mais, mais, mais. Já temos volume bom de estoque para ser trabalhado”, diz copresidente executivo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cury: “As famílias estão mais endividadas hoje e, cientes disso, temos que ser mais seletivos” — Foto: Julio Bittencourt/Valor A Cury trabalha para vender seu estoque de unidades até o final deste ano, afirmou o copresidente executivo, Leonardo Mesquita, em teleconferência com analistas nesta quarta-feira (12). O objetivo é que as obras continuem com volume grande de unidades repassadas, ou seja, com financiamento contratado, o que permite à empresa continuar com a política de geração de caixa. Confira os resultados e indicadores da Cury e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 A Cury gerou R$ 144,9 milhões em caixa no segundo trimestre, 40% acima do mesmo período de 2025. Enquanto isso, a empresa, que aumentou o volume de operação nos últimos anos, tem seguido com lançamentos e vendas mais estáveis ou em queda. Os lançamentos recuaram 0,8% no segundo trimestre, na base anual, e as vendas, 12,9%. Os dados consideram apenas a participação da Cury nos projetos. “As famílias estão mais endividadas hoje e, cientes disso, temos que ser mais seletivos”, afirmou Mesquita. “Não adianta ficar falando em mais, mais, mais. Já temos volume bom de estoque para ser trabalhado”. Diante do cenário macroeconômico, a principal ação que a empresa pode fazer é melhorar sua geração de caixa, disse o executivo, daí o foco na venda das unidades já lançadas e no avanço da produção dos imóveis. Obras em atraso A companhia reportou, no segundo trimestre, uma despesa financeira de R$ 22,1 milhões como seu resultado financeiro, valor 41,7% maior do que no mesmo período de 2025. Segundo João Carlos Mazzuco, diretor financeiro da companhia, isso está “ligado diretamente a algumas obrigações contratuais com atraso de entrega nas unidades”. A Cury informou que houve atraso na entrega de cinco empreendimentos. Por contrato, as incorporadoras podem atrasar a entrega em seis meses. Depois disso, pagam multa aos compradores. “Temos quatro obras ainda sendo monitoradas pela engenharia e por nós”, disse o executivo. Paulo Curi, copresidente de engenharia, destacou que esses atrasos foram uma pequena parcela das 90 obras em andamento. De acordo com ele, o causador dos atrasos foram problemas com mão de obra e equipamentos, mas há uma recuperação da produtividade da incorporadora. “Em São Paulo, nos seis primeiros meses, melhoramos em 20% em relação ao ano passado, e no Rio, em 30%. [Isso] nos dá conformo de que temos chance de recuperar prazos dessas obras”, disse. Embora afirmem que os custos estão controlados, os executivos da Cury ressaltaram que o ambiente de inflação do setor ainda é instável, já que a guerra no Irã, que tem impactado o petróleo, ainda não terminou, e a companhia vai seguir com as projeções mais conservadoras adotadas no começo do ano. “É muito cedo para cantar vitória contra a inflação”, afirmou Mazzuco. Mudanças na Caixa Mesquita afirmou que a Caixa Econômica Federal, maior operadora dos financiamentos do Minha Casa, Minha Vida, tem buscado se adaptar a uma “nova realidade” de profissões e de renda informal. O banco estaria readequando sua política de crédito, disse, o que, por vezes, causa desgastes nos processos. Incorporadoras apontaram que, entre o final de junho e o começo de julho, a Caixa ficou mais restritiva na parcela de renda que o comprador poderia comprometer com o financiamento, o que foi ajustado posteriormente. Ainda segundo Mesquita, “a Caixa saudável significa que nós também ficaremos saudáveis, e o mercado também”, e “é importante esse trabalho constante de melhoria de análise e concessão de crédito”.