Inteligência artificial vai aumentar lucro do varejo, diz cofundador da plataforma Innovation WeekPara Fábio Queiroz, especialista em negócios de varejo, os agentes de IA já atuam como vendedores e o avanço da tecnologia vai derrubar barreiras entre o físico. Crédito: Edição: Larissa Kinoshita motion: Raul Carvalho, Coord de pós: Anderson Russo, Captação: Felipe Pedro, Produção: Vitória SchimdtzGerando resumoVarejistas apostam em vendas financiadas bancadas com capital próprio para escapar dos juros elevados e das restrições bancárias na aprovação de novos créditos por conta do aumento da inadimplência do consumidor.PUBLICIDADENos últimos dois anos, a fatia dos financiamentos com recursos dos próprios varejistas nas vendas deu um salto de quase 70% e fez mais que dobrar o valor médio da venda com recursos próprios em relação à feita com cartão bancário. Em 2025, o crédito dos próprios comerciantes respondeu por 15,52% do faturamento do varejo, ante 9,27% em 2023. É um aumento de quase 70% em apenas dois anos, aponta um estudo inédito da RPE (Retail Payment Ecosystem), processadora de cartões especializada em varejo. Os resultados foram obtidos com base na carteira de clientes da empresa que reúne mais de 80 varejistas de vários setores, como alimentação, moda, materiais de construção, farmácias, eletrodomésticos e móveis. PublicidadeO desempenho do crédito fornecido pelos próprios lojistas é comparável ao avanço que o Pix, meio de pagamento instantâneo do Banco Central, teve no mesmo período, cuja participação cresceu 71,5%.Já as fatias dos demais meios de pagamento – cartão de crédito bancário, dinheiro em espécie, cartão de débito, vale e outros – encolheram em dois anos, aponta o levantamento feito pela processadora, com base em dados do Banco Central, Abecs, Febraban e Worldpay.Crédito próprio avança no varejo Foto: Tiago Queiroz/EstadãoSegundo Lucas Dornellas, diretor de receitas da RPE, desde antes da pandemia o ciclo de crédito bancado com recursos dos próprios varejistas vinha em rota ascendente, mas a partir de 2023 houve uma aceleração. “A cada ano, cerca de oito a dez contratos novos de varejos estão deixando emissões bancárias e fazendo operações próprias”, afirma o executivo, citando a movimentação de seus clientes.PublicidadeConjuntura leva o segmento a rever rotinas O que tem motivado a volta dos lojistas ao crediário bancado com recursos próprios, como existia nos primórdios da venda financiada é, segundo executivo, a conjuntura econômica atual, que é complexa. Isto é, a combinação de uma taxa básica de juros elevada, hoje em 14% ao ano, com nível de endividamento alto do consumidor e os bancos restringindo a aprovação de crédito. “Isso está tirando o poder do varejo de conseguir efetivamente elevar o consumo e os varejistas bem capitalizados, mais organizados – dado que as grandes redes regionais estão crescendo cada vez mais – estão assumindo esse protagonismo do crédito novamente”, observa Dornellas.Para exemplificar o impacto do uso do crédito do próprio varejista nas compras financiadas em relação ao crédito bancário, o executivo diz que no passado, entre 2010 e 2015, de cada 100 pessoas que buscavam crédito bancário para consumo, de 20% a 30% tinham o limite aprovado.PublicidadeHoje, no entanto, o índice de aprovação varia entre 5% e 8%. Mas com o uso do capital próprio, o varejo consegue ainda manter esse índice de 30%, afirma o executivo.Qual é o placar de crédito próprio x tradicional?Entre os desdobramentos do uso crédito próprio dos varejistas nas vendas, o estudo aponta dois dados surpreendentes em relação ao valor médio da venda e à inadimplência.O valor médio das vendas dos varejistas na modalidade crédito com recursos próprios chegou a R$ 305,82, ante R$ 143,52 no crédito tradicional. É uma diferença de 113%.PublicidadePUBLICIDADEPublicidadeAlém disso, o crédito próprio cria fidelidade do consumidor à loja e aumenta a recorrência das compras. Todos esses fatores combinados, ampliam o gasto e melhoram o faturamento do varejo.Relacionamento e fidelidade reduzem inadimplênciaEm relação à inadimplência, o estudo revela que 83% dos clientes que compram há mais de dez anos usando linhas de crédito bancadas pelo próprio varejista, registram o maior porcentual de pagamento em dia.O relacionamento e a fidelidade acabam fazendo com que a inadimplência seja menor. “Clientes que já têm um relacionamento estável, contínuo ao longo dos anos, principalmente acima de cinco anos, têm carteiras em dia muito melhores do que índice de mercado.”A tendência, segundo o executivo, é que os bancos foquem no crédito deles, enquanto varejo avança na recuperação do crédito próprio, após um forte movimento de venda das carteiras próprias dos lojistas para os bancos que houve no passado.Depois do salto de quase 70% da participação do crédito próprio dos comerciantes nas vendas do varejo em relação a outros meios de pagamento, a perspectiva é de que essa modalidade de crédito continue avançando. “Acredito que a gente vai ver crescimentos na casa de 10% a 15% anuais, pelos próximos 5 anos, sem dúvida alguma.”Vale ler tambémUma política de desenvolvimento regional à altura da AmazôniaReforma tributária: brasileiro se assusta com alíquota de 28%, mas já paga imposto maiorSaída menos dolorosa para o BRB é a separação de ativos e a venda do banco, como ocorreu nos anos 90
Fatia do crédito próprio nas vendas avança quase 70% em dois anos, aponta estudo
Aumento da inadimplência, que fez os bancos ficarem mais restritivos, e juros elevados abriram espaço para o varejista bancar financiamentos com capital próprio










