Com consumidores cada vez mais abertos ao uso de inteligência artificial para decidir compras, especialistas apontam avanço do “shopping conversacional” como próximo passo da transformação do e-commerce Divulgação — Foto: Divulgação A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se consolidar como parte ativa da jornada de compra. Um estudo recente da Visa, divulgado pela Veja, mostra que 76% dos brasileiros pretendem usar IA para fazer compras, sinalizando uma mudança significativa no comportamento de consumo e na forma como clientes se relacionam com marcas. O movimento acompanha uma tendência que já vem sendo percebida pelo mercado. Segundo o Relatório do Varejo 2025 da Adyen, 52% dos brasileiros já utilizaram ferramentas de inteligência artificial, como ChatGPT, para apoiar decisões de compra nos últimos 12 meses. Além disso, 70% afirmam que estariam dispostos a concluir compras mediadas por IA no futuro. Na avaliação de Rodrigo Soares, CTO da TEC4U, empresa especializada em transformação digital, integração de dados e soluções inteligentes para o varejo, esse é apenas o início de uma mudança estrutural no comércio eletrônico. "Hoje, as IAs já funcionam como um canal de aquisição de tráfego para o varejo. O consumidor pesquisa, compara e busca recomendações em plataformas como ChatGPT, Gemini e Perplexity. O próximo passo é transformar esse tráfego em compra dentro da própria conversa", afirma. Esse movimento impulsiona um conceito que ganha força globalmente: o shopping conversacional. Na prática, trata-se de substituir etapas tradicionais do e-commerce, como navegação, busca, carrinho e checkout, por uma experiência conduzida por inteligência artificial em formato de diálogo. "É uma mudança importante porque simplifica toda a jornada. Em vez de acessar um site, procurar produtos e preencher dados para concluir a compra, o consumidor apenas conversa com a tecnologia, explica o que precisa e recebe recomendações contextualizadas, personalizadas e prontas para conversão", explica. A experiência se aproxima da atuação de um vendedor especializado, mas com escala e inteligência ampliadas. Segundo levantamento da FGV, 73% dos varejistas brasileiros pretendem ampliar investimentos em inteligência artificial ainda em 2025, enquanto 82% consideram a tecnologia essencial para manter competitividade no curto prazo. Para Rodrigo, o avanço da IA no varejo não está apenas ligado à conveniência, mas à capacidade de gerar eficiência operacional e melhorar resultados. "A inteligência artificial tem a capacidade de analisar dados e identificar padrões em uma velocidade impossível para humanos. Isso gera mais assertividade, melhora a experiência do cliente e cria um potencial exponencial de ganho em conversão para os e-commerces", destaca. Dados ainda são principal desafio Apesar do avanço da tecnologia, a implementação de experiências realmente inteligentes ainda enfrenta barreiras importantes no Brasil. A principal delas está na organização de dados. De acordo com Rodrigo, a hiperpersonalização, um dos pilares da nova lógica de consumo digital, depende diretamente da qualidade e integração das informações. "Antes de ligar uma IA, é preciso estruturar os dados. Hoje, muitos varejistas ainda operam com informações espalhadas em sistemas diferentes, sem conexão ou capacidade de análise integrada. Sem isso, não existe personalização eficiente", afirma. Segundo ele, esse é justamente um dos principais focos da TEC4U, que atua no apoio a empresas para organizar ecossistemas de dados, integrar plataformas e preparar operações para o uso mais sofisticado da inteligência artificial. "Não adianta implementar tecnologia sem base sólida. O varejo precisa primeiro entender seus dados, centralizar informações e criar inteligência operacional. Só assim a IA consegue entregar valor real ao consumidor e ao negócio", reforça. Orbit by TEC4U aposta na compra conversacional Dentro desse cenário, a TEC4U desenvolveu o Orbit by TEC4U, solução baseada em inteligência artificial criada para atuar como assistente de vendas conversacional em e-commerces. A ferramenta recomenda produtos com base nos inputs do consumidor e nos sinais de navegação, tornando a experiência de compra mais fluida e personalizada. "Se o cliente busca um vestido para um casamento no Nordeste ou a chuteira usada pelo Messi, por exemplo, o Orbit entende essa intenção e recomenda o produto mais adequado naquele contexto. A lógica deixa de ser baseada em palavras-chave e passa a ser orientada por intenção de compra", explica Rodrigo. Além de funcionar como chat on-site, o Orbit também pode operar como mecanismo de busca inteligente ou até substituir interfaces tradicionais de e-commerce por um único campo de interação conversacional. Para Rodrigo Soares, esse modelo deve se consolidar nos próximos anos, independentemente do canal utilizado pelo consumidor. "As compras online serão cada vez mais conversacionais. Não importa se pelo site, WhatsApp, Telegram ou qualquer outro ponto de contato. O consumidor vai querer menos cliques e mais diálogo. E o varejo que entender esse movimento antes terá vantagem competitiva", conclui.
O fim do clique? IA acelera nova era de compras por conversa no varejo digital
Com consumidores cada vez mais abertos ao uso de inteligência artificial para decidir compras, especialistas apontam avanço do “shopping conversacional” como próximo passo da transformação do e-commerce
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