Inteligência artificial vai aumentar lucro do varejo, diz cofundador da plataforma Innovation WeekPara Fábio Queiroz, especialista em negócios de varejo, os agentes de IA já atuam como vendedores e o avanço da tecnologia vai derrubar barreiras entre o físico. Crédito: Edição: Larissa Kinoshita motion: Raul Carvalho, Coord de pós: Anderson Russo, Captação: Felipe Pedro, Produção: Vitória SchimdtzGerando resumoA Zenvia, empresa de tecnologia centrada em softwares e inteligência artificial para gestão de vendas e atendimento em canais digitais como WhatsApp, fechou seu capital na Nasdaq, onde estreou em 2021 com expectativa de uma trajetória perene na Bolsa norte-americana. Com as ações valendo menos de US$ 1, optou por sair voluntariamente após ser notificada pela Nasdaq do desenquadramento do valor mínimo para seguir negociando. As perdas acumuladas pela Zenvia desde a abertura de capital chegaram a superar os 90%.A Zenvia teve sua marca estampada na torre da Nasdaq na Times Square, na estreia na Nasdaq Foto: Rogério Cavalcanti/DivulgaçãoPUBLICIDADEA tech brasileira viu a dívida chegar a R$ 700 milhões, valor recentemente reestruturado, depois que a companhia obteve proteção na Justiça contra as cobranças. No processo, alongou para 2032 compromissos de R$ 253 milhões com a Movidesk, uma das adquiridas pela Zenvia, e o restante com TIM, Vivo e Claro.Mas a empresa já vinha enfrentando dificuldades desde 2023, e duas grandes renegociações ocorreram em 2024 e no ano passado. A companhia também recebeu aportes de capital de R$ 50 milhões de seu sócio-fundador, Cassio Bobsin, em fevereiro de 2024. No balanço do primeiro trimestre, a Zenvia viu sua receita subir 39,2% para US$ 295,9 milhões frente ao mesmo período de 2024, mas a margem bruta caiu 17,2 pontos porcentuais para 20,8%. No período, reverteu um prejuízo líquido de US$ 55,9 milhões no primeiro trimestre de 2024, para lucro de US$ 3,7 milhões no primeiro trimestre último.A Zenvia, que teve sua marca estampada na torre da Nasdaq na Times Square, tinha expectativa de realizar novas ofertas de ações (follow on) para dar vazão a uma agenda de consolidação de empresas nascentes do setor, por meio de aquisições. Essa era a promessa aos investidores no IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês). Nesse percurso, a Zenvia realizou ao menos 10 grandes aquisições.Publicidade“As janelas que esperávamos a partir de 2021 não aconteceram, e acabamos ficando pequenos na Bolsa para atrair fundos”, diz a diretora financeira da Zenvia, Barbara Raymundo, sócia da Oria Capital, um dos acionistas da Zenvia, e que assumiu o cargo em junho deste ano.Quais são as razões para os resultados dos últimos anos?Os questionamentos quanto à sobrevivência das empresas de software as a service (Saas) no mundo também não contribuíram, de acordo com ela. Há alguns anos, as ações dessas companhias têm sido pressionadas por inovações tecnológicas que mudaram rapidamente a visão do que seriam os softwares no futuro. Mais recentemente, com a chegada de novas versões da inteligência artificial houve um derretimento expressivo dos papéis de várias empresas, o que foi chamado de “apocalipse do SaaS”.A visão da Zenvia é, entretanto, de que a indústria de softwares está se adaptando. “Nunca acreditamos que as empresas de SaaS fossem ser totalmente prejudicadas pela IA, mas que tirariam proveito dela para novos posicionamentos no mercado”, observou Raymundo. Tanto que no ano passado separou seus dois principais negócios, de SaaS (software as a service), no qual tem centralizado sua estratégia, e prepara a operação de compra e venda de SMS, chamado de Communication Platform as a Service, que deu origem à companhia, para uma eventual venda.PublicidadeComo a Zenvia desembarcou em Wall StreetA história da Zenvia começa no boom dos IPOs no Brasil e que levou a companhia e outras de tecnologia para o mercado norte-americano. Estreou na Nasdaq em julho de 2021, captando US$ 200 milhões, sendo US$ 50 milhões com um aporte da empresa norte-americana Twilio. As ações foram vendidas a R$ 13,00.A Zenvia também não é a única que perdeu liquidez e acabou “largada” na bolsa norte-americana. A experiência dessas empresas tem levado a revisões nas propostas que os bancos de investimento brasileiros fazem quando o assunto é chegar ao mercado de capitais nos EUA. Agora, muitos dessas instituições que levaram essas ofertas para Nova York, defendam IPOs maiores, de um mínimo de US$ 500 milhões, para evitar a perda de liquidez.Leia tambémStartup brasileira Zenvia entra com pedido de IPO na NasdaqColuna do Broadcast: Chinesa Tencent dobra fatia na brasileira Zenvia e chega a 10% das açõesColuna do Broad: Vtex e Zenvia fazem Nuvini colocar pé no freio em plano de IPOcastPUBLICIDADE“Estar listed (listado) dá credibilidade para o negócio, mas as obrigações das empresas que estão listadas são grandes, de governança e importantes e isso gera um esforço para as companhias que têm um custo para operar, o que é preciso ser colocado na conta”, diz o vice-presidente de Negócios, Marketing e Tecnologia da Zenvia, Gilsinei Hansen.Hansen acrescenta que, embora tudo o que se faz em termos de compromissos regulatórios gere valor aos acionistas, não necessariamente agrega valor ao produto em si. “Existem custos que são intangíveis, porque você tem de ter uma estrutura para atender os requisitos de estar na bolsa, ter profissionais dedicados a isso, um esforço que poderia estar direcionado em pesquisa e desenvolvimento”, afirma. Vale ler tambémReforma tributária corre risco de entrar em vigor sob a mesma lógica que destruiu o sistema anteriorAlto Escalão: contratações para diretorias comerciais dominam a semanaGirassol Agrícola investe no plantio de eucalipto
5 anos após estreia na Nasdaq, brasileira Zenvia deixa a Bolsa e passa por reestruturação
A tech brasileira viu a dívida chegar a R$ 700 milhões, valor recentemente reestruturado, depois que a companhia obteve proteção na Justiça contra as cobranças
Zenvia deixa Nasdaq em 5 anos: ações -90%, débito R$ 700M reestruturado. Falha na janela M&A e crise SaaS pós-AI; bancos recalibram recomendação: IPO brasileiro mínimo US$ 500M.










