Imagine a situação de acordar e perceber que o servidor que dava suporte à sua startup de healthtech foi desligado de forma remota. Ou que o algoritmo de concessão de crédito da sua fintech deixou de operar porque a licença para usar a API de uma empresa estrangeira foi cancelada da noite para o dia. Para o empresário brasileiro, isso vai muito além de um pesadelo de ficção científica; é o risco real de se tornar refém de infraestruturas críticas controladas por terceiros em um mundo que se organiza em torno de monopólios tecnológicos.

No cenário global, estamos em um momento de aceleração sem precedentes — como o anúncio recente de uma aliança entre os gigantes de Wall Street e a Nvidia para um fundo de US$ 500 bilhões voltado à infraestrutura de IA —, enquanto o ecossistema brasileiro ainda opera em outra frequência. Aqui, a realidade é diferente: falta capital de risco profundo (deep tech), investidores que não gostam de correr riscos sem colaterais reais e instituições de fomento com orçamentos cada vez mais apertados.

A questão que ressoa nos escritórios de capital de risco de São Paulo e nos centros de inovação de Florianópolis é: como se destacar em um cenário global que requer trilhões, enquanto nós operamos com milhões?