Apesar de o índice de inflação oficial, o IPCA, acumulado em 12 meses permanecer acima da meta, a inflação doméstica mensal cedeu. A economia, a despeito da desaceleração em alguns setores, segue resistente. Os juros, os mais altos do planeta em termos reais, baixam lentamente. As projeções de déficit melhoraram. Essas constatações, presentes em relatórios semestrais de bancos, não desencorajaram, entretanto, os economistas mais pessimistas, habituais perdedores em ­suas previsões sombrias. Alguns até resolveram dobrar a aposta. O ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga, em entrevista recente, considerou o momento atual da economia “desastroso”, advertiu sobre o avanço do endividamento de famílias, empresas e setor público e apontou um risco real de recessão em 2027. Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth ­Management, afirma que o País caminha para uma “crise contratada” devido à deterioração fiscal e aos juros elevados. Sem um corte de gastos equivalente a 4% do PIB, sublinha Srour, a dívida pública continuará em trajetória insustentável.

Não há dúvida de que a economia, golpeada por tarifaços, juros na estratosfera, bloqueio da importação de insumos em consequência da guerra no Irã e inundação de importados da China, desacelerou e levou os bancos a reavaliar as estimativas, mas nenhuma revisão prevê recessão no próximo ano. O Bradesco estima crescimento de 1,3%, o Itaú, 1,5%, o Santander, 1,3% e o Safra, 1,57%. O Relatório ­Focus do Banco Central indica 1,52%, a OCDE estima 2,1% e o Banco Mundial calcula 2%. Em julho, o FMI revisou para cima a previsão de crescimento do PIB brasileiro de 2% para 2,2%. O Ministério da Fazenda aposta em 2,5% no ano vindouro.