A deterioração das expectativas inflacionárias voltou a contaminar o humor do mercado nos últimos tempos. Pela décima semana consecutiva, analistas de mais de cem instituições financeiras elevaram a projeção para o IPCA de 2026, agora estimado em 4,92%, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central em 18 de maio. Entre os banqueiros da Faria Lima, o tema monopoliza as conversas. A avaliação predominante é de que o conflito no Irã deve manter elevada a volatilidade do petróleo nos próximos meses. Nem por isso há consenso no setor. Quando o assunto passa da inflação para as eleições, as divergências emergem rapidamente.
O banqueiro Adilson Soares da Silva, de 59 anos, está entre os mais cautelosos. Pouco conhecido no noticiário econômico, ele chegou há seis meses ao principal centro financeiro de São Paulo e do País. Desde então, tem revisto cenários diante das oscilações do petróleo e dos impasses nas negociações entre Donald Trump e o regime dos aiatolás. “Quando começou aquela confusão, teve posto cobrando 8 reais o litro de combustível. Depois caiu para 6 e pouco, mas agora já tá subindo de novo”, observa. O aumento da gasolina preocupa especialmente pelo impacto logístico no Chevrolet Monza do sobrinho, responsável por abastecer sua banca de frutas na estratégica esquina da Avenida Faria Lima com Rua Diogo Moreira.











