Previsões para o IPCA estavam subindo há 15 semanas consecutivas, chegando a 5,33% para o fim de 2026 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O edifício do Banco Central, em Brasília — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/06/2026 - 13:45 Boletim Focus: Inflação e Selic Estabilizam Após Alta Prolongada O Boletim Focus do Banco Central revelou uma pausa na alta das projeções de inflação e juros, com o IPCA de 2026 mantido em 5,33% após 15 semanas de crescimento. A Selic também estabilizou em 14%, após três aumentos. O cenário permanece incerto, com a inflação acima da meta e expectativas de alta para 2027. A redução gradual da Selic é prevista, mas depende de fatores como a inflação futura e o contexto global. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Após uma sequência de 15 semanas de alta, o mercado financeiro freou as projeções para a inflação. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, a estimativa para o IPCA no fim de 2026 permaneceu em 5,33%. A trégua também veio na previsão para a taxa Selic, que ficou em 14% ao ano, encerrando uma sequência de três elevações seguidas. Ainda assim, o cenário segue preocupante. O IPCA acima dos 5% continua distante do teto da meta, estabelecida em 3% pelo Conselho Monetário Nacional (CNM), com tolerância de um ponto percentual para cima ou para baixo. Além disso, para o fim de 2027, as expectativas para a inflação continuaram subindo, agora pela sexta semana consecutiva, chegando a 4,17%. No comunicado, o Banco Central manteve um tom cauteloso, destacando a piora das perspectivas para a inflação e as incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, e afirmou que os próximos passos da política monetária dependerão da evolução do cenário econômico e dos dados de inflação. Para André Valério, economista sênior do Inter, apesar de ainda haver incertezas, é justamente a desescalada da guerra entre Estados Unidos e Irã um dos fatores que está permitindo uma melhora nas projeções. Ele acredita que está à vista uma normalização dos preços do petróleo, de forma que será possível ver pressões menores da inflação nas próximas leituras. — A inflação de alimentos já deu sinais de perda de força e estamos entrando em período de sazonalidade de baixa dos alimentos, entre julho e setembro, tipicamente. Com isso, nossa expectativa é de ver o IPCA retornar à normalidade vista no segundo semestre do ano passado, pré-período de sazonalidade de alta, entre dezembro e fevereiro. O IPCA-15 da última semana já indica isso — explicou. Segundo o economista, apesar dos riscos de alta para a inflação, sobretudo pela expectativa de aceleração dos preços dos alimentos no fim deste ano e início do ano que vem, devido ao El Niño, há sinais positivos. Valério destaca que o nível dos reservatórios tem superado as expectativas e que a manutenção da bandeira tarifária amarela pela Aneel pode contribuir para uma trajetória da inflação melhor do que a prevista pelo Copom. Na sua avaliação, o pico das pressões inflacionárias pode ter ficado para trás, e a projeção segue em 5,2% para o IPCA de 2026 e 3,8% para 2027. — No curto prazo, esperamos a estabilidade das expectativas, mas vemos potencial de recuo tanto nas projeções de IPCA quanto de Selic — disse Valério, acrescentando que discorda da visão de boa parte do mercado de que o Copom vai entregar o último corte de Selic do ano na reunião de agosto: — Com o cenário prospectivo de inflação melhorado, vemos condições para o Copom entregar cortes de 25 pontos base em todas as reuniões até o fim de 2026, o que levaria a Selic a 13,25%. Para o economista, as divulgações do IPCA de junho e do IPCA-15 de julho serão determinantes para a trajetória da inflação. Ele também destaca que o bônus de Itaipu deve provocar uma deflação em agosto, compensada por uma inflação maior em setembro. Ainda assim, a expectativa é de que três leituras consecutivas mais fracas do IPCA reduzam a pressão sobre o Copom e permitam a continuidade do ciclo de cortes da Selic. Já Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, tem uma visão mais pessimista para juros. Para ele, embora a tendência seja de que as projeções de inflação sigam no patamar de 5,3%, há uma desencoragem adicional das expectativas em relação à meta, uma vez que a perspectiva continua sendo de alta para o IPCA de 2027. — Esse cenário mais desafiador para a inflação aqui no Brasil necessita de uma política monetária restritiva, com menos espaço para corte de juros. A gente precisa compreender a divulgação dos próximos dados para fazer uma melhor avaliação do cenário, mas devemos encerrar uma Selic entre 14% e 13,75%. Não há muito mais espaço para corte. Embora Sung acredite que deve haver mais leituras estáveis nas próximas divulgações do Focus, ele ainda observa uma deterioração do cenário inflacionário, consequentemente com uma Selic mais alta.
Boletim Focus: pela primeira vez em semanas, mercado interrompe alta nas projeções de inflação e juros
Previsões para o IPCA estavam subindo há 15 semanas consecutivas, chegando a 5,33% para o fim de 2026











