0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bancos e consultorias de investimentos têm reduzido projeção para a inflação deste ano — Foto: Freepik Os resultados mais recentes do IPCA-15 e da produção industrial vêm levando bancos e consultorias a revisar para baixo suas projeções para a inflação deste ano. Nesta sexta-feira, o Bradesco reduziu sua estimativa para o IPCA de 5,30% para 5%. O Boletim Focus já contabiliza cinco quedas consecutivas na expectativa para o IPCA. Até aqui , no entanto, não há previsões que coloquem a inflação dentro do teto da meta, que é de 4,5%. Em relatório, o Bradesco afirma que a dissipação dos choques inflacionários tem ocorrido de forma mais rápida do que previa. O banco destaca ainda que "a surpresa baixista de junho foi disseminada, qualitativamente favorável e sem sinais de contaminação para outros setores". Na avaliação da instituição, o principal risco para o cenário continua sendo o El Niño, cujo impacto sobre os preços dos alimentos ainda é incerto. O fenômeno climático foi citado, inclusive, no comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que evitou sinalizar qual será o próximo movimento da taxa Selic, embora tenha deixado espaço para um novo corte em setembro. Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, acrescenta ao risco representado pelo El Niño a possibilidade de novos choques nos preços do petróleo e de oscilações cambiais. — Ainda há muitos choques potenciais pela frente. Para que a inflação terminasse abaixo de 4,5%, eles teriam de ser muito pequenos. O mercado vai ajustando suas projeções à medida que os dados são divulgados. O IPCA-15 e os números da indústria deram início a esse movimento de revisão — afirma Padovani, que projeta IPCA de 5% neste ano. Com previsão de 4,94% para o IPCA, Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, não descarta totalmente a possibilidade de a inflação terminar o ano dentro da meta, mas considera esse cenário bastante improvável. — Teria de acontecer algum evento fortemente deflacionário que hoje não está no radar. Por exemplo, um El Niño muito mais fraco do que o esperado ou uma mudança fiscal capaz de levar o câmbio para algo próximo de R$ 4,50. Além disso, restam apenas quatro meses para que essa surpresa ocorra, o que torna muito difícil a inflação fechar abaixo de 4,5% neste ano. Entre os que revisaram suas projeções após a divulgação do IPCA-15 — reduzindo a estimativa de 5,30% para 5,10% — está Luís Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners. Na avaliação dele, a manutenção da bandeira verde nas tarifas de energia e um comportamento mais favorável dos preços dos alimentos poderiam levar a inflação ao teto da meta. Por enquanto, porém, considera esse cenário pouco provável.