Cenário é apontado por estrategistas do Santander e do Bradesco BBI, com base nos resultados e nas teleconferências 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Após um longo período de juros elevados, os sinais de desaceleração da atividade finalmente ficaram evidentes também nos balanços de empresas cíclicas domésticas, e não apenas nos indicadores macroeconômicos. É isso o que apontam estrategistas do Santander e do Bradesco BBI, com base nos resultados e nas teleconferências. “Parece que a atividade está desacelerando e as empresas estão começando a sentir. As empresas estão reduzindo o ‘guidance’ [projeção]... No balanço da semana passada, o 'management' da Localiza veio com um discurso mais negativo; o Banco Inter também trouxe uma visão pior para inadimplência…”, avalia a chefe de pesquisa e estratégia de ações do Santander, Aline Cardoso. A executiva nota que os balanços estão mostrando uma dispersão grande entre o que foi apresentado por empresas cíclicas domésticas e por companhias ligadas a commodities. “Setores domésticos estão bem mais fracos que os de commodities. O setor financeiro decepcionou, assim como o setor de saúde, tirando Hypera e Fleury... Todas as empresas cíclicas vieram um pouco abaixo do esperado. Nem foi o resultado em si [que pesou], mas a comunicação do ‘management’ [diretoria] de que estão vendo uma desaceleração.” A visão é compartilhada pelo estrategista para Brasil do Bradesco BBI, Pedro Grimaldi. Ele afirma que companhias ligadas a commodities, especialmente as de petróleo, foram destaque positivo, em virtude do conflito entre Estados Unidos e Irã, que chegou a elevar os preços do óleo bruto para patamares superiores a US$ 100 neste ano. Por outro lado, empresas cíclicas domésticas finalmente mostraram o impacto da desaceleração da atividade. “Essa desaceleração era esperada, mas demorou para vir dado o nível de juros. Estávamos com temporadas de balanços muito boas antes disso. Agora, estamos vendo os efeitos dessa política monetária restritiva.” Embora reconheça que o ciclo de cortes de juros deste ano será menor do que o previsto pelo mercado no começo de 2026, quando parte das casas projetava uma queda de 300 a 400 pontos-base (3 a 4 pontos percentuais) da Selic, Grimaldi diz ver espaço para a continuação do afrouxamento monetário no ano que vem. “Ainda temos um ciclo. Teve uma discussão grande em junho sobre se o BC iria parar de cortar [a Selic] em agosto, mas ele cortou e deve cortar em setembro. No ano que vem, também temos espaço para um ciclo de cortes. Já vimos que só o fato de o juro estar caindo ajuda a levar de volta investimentos para ações. Estou com visão positiva para a bolsa local”, afirma o estrategista do BBI. Aline Cardoso, estrategista e chefe de pesquisa do Santander no Brasil. — Foto: Carol Carquejeiro/Valor.