O cenário não está bom para pegar ou pagar um empréstimo. E ele não deve melhorar tão cedo. Essa é a avaliação de economistas, analistas e dos próprios bancos privados para o restante de 2026, em meio a juros mais altos do que o esperado e a um elevado comprometimento da renda das famílias brasileiras.
"Eu acho que o ciclo do crédito vai ser desafiador", disse Milton Maluhy, presidente do Itaú Unibanco, maior banco do país, durante teleconferência com analistas nesta quarta-feira (5). "Vivemos hoje um excesso de crédito dado pelo mercado." O executivo disse que, neste momento, prefere abrir mão de crescimento e participação de mercado a correr o risco de lidar com a inadimplência depois.
O Bradesco também prometeu cautela. "Não estamos fazendo loucura. Estamos reduzindo o crédito pessoal e fazendo colateralizado", disse o presidente Marcelo Noronha a jornalistas, nesta quinta (6).
A cautela dos executivos se reflete nas reservas para perdas com calotes que os três maiores bancos privados do país —Itaú Unibanco, Bradesco e Santander— fizeram no segundo trimestre, conforme mostraram nos balanços divulgados nas duas últimas semanas.
Somados, os três bancos provisionaram R$ 28,7 bilhões, uma alta de 12,4% em comparação com o mesmo período de 2025. O colchão de segurança inflou mais do que os empréstimos. A carteira de crédito subiu apenas 9,4% no período, indo a R$ 3,37 trilhões.










