O nível recorde do endividamento das famílias pode levar a uma perda de ritmo significativa do consumo em 2027, em um efeito rebote que, para economistas, embute o risco de uma desaceleração mais forte que o esperado da atividade econômica.

O cenário, dizem eles, é considerado particularmente arriscado porque muitos brasileiros estão endividados em linhas de crédito caras, o que tende a intensificar a ressaca que tradicionalmente se segue a períodos de expansão acelerada do crédito como o atual.

Análises recentes do BTG Pactual e do FGV Ibre sobre o tema citam um estudo de 2020 do Banco Central que mostra que, quando as famílias se endividam em excesso, há uma queda acentuada do consumo no futuro como consequência.

O trabalho, intitulado "Endividamento das Famílias e Recessão Econômica no Brasil", investigou o ciclo de crédito que precedeu a recessão de 2014 a 2016. quanto maiores eram os juros das linhas, maior era o impacto negativo posterior sobre o consumo.

Hoje, modalidades com as taxas mais altas, como cartão parcelado e rotativo, cheque especial e crédito pessoal sem consignação, já representam quase 25% da carteira das pessoas físicas, segundo dados do BC, contra 20% no pré-pandemia.