Especialistas citaram que os juros baixos nos Estados Unidos têm favorecido a entrada de recursos em países emergentes como o Brasil, o que dá essa margem maior para a aceitação da situação fiscal 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A situação fiscal vai exigir ajuste que provocará desaceleração da economia brasileira, mas, por enquanto, o cenário externo de incerteza tem ajudado, avaliaram alguns economistas presentes no Fórum Econômico RIW FGV, organizado pela Fundação Getulio Vargas como parte da programação da Rio Innovation Week. “Se [o Brasil] continuar com esse endividamento, vai ter uma crise econômica severa. A capacidade de estimulo fiscal é zero. De certa forma, a desaceleração econômica está contratada”, afirmou a diretora de Macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, Solange Srour. “Vai depender do cenário internacional. Mas um dia essa conta vai chegar”. Na sua avaliação, a situação fiscal é “gravíssima” e a estabilização da relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) exigiria um ajuste em torno de quatro pontos do PIB. Por enquanto, no entanto, não vê a urgência desse ajuste fiscal no debate público. Apesar da incerteza no cenário internacional, economistas presentes no debate citaram que os juros baixos nos Estados Unidos têm favorecido a entrada de recursos em países emergentes como o Brasil, o que dá essa margem maior para a aceitação da situação fiscal. “O cenário está extremamente incerto, mas mercados por enquanto estão tranquilos. Países emergentes como Brasil e México estão surfando bem, mas meu medo é a coisa mudar. É preciso monitorar”, disse sócio e economista-chefe da JGP, Fernando Rocha, que defende um ajuste fiscal forte para lidar com o endividamento. Para o economista, a economia brasileira vai passar por “período de estresse” se não fizer ajuste fiscal forte. “Não acho que vai ser agora. [...] O ambiente internacional está ajudando”. O pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) Samuel Pessoa e o ex-ministro da Fazenda e diretor de Estratégia Econômica e Relações com Mercados do Banco Safra, Joaquim Levy, por sua vez, veem espaço para um ajuste fiscal mais gradual, em contraponto à posição de Srour e Rocha. Pessoa argumenta que a desvalorização do dólar sinaliza uma certa perda de confiança na economia americana, o que pode afetar o diferencial de juros dos Unidos e de países emergentes mais pela piora institucional dos EUA que pela melhora dos emergentes. — Foto: Pixabay
Desaceleração da economia por situação fiscal está contratada, mas cenário externo tem ajudado, afirmam economistas
Especialistas citaram que os juros baixos nos Estados Unidos têm favorecido a entrada de recursos em países emergentes como o Brasil, o que dá essa margem maior para a aceitação da situação fiscal






