IPCA de junho surpreendeu analistas ao ficar abaixo das estimativas. No entanto, Serviços seguem pressionados e risco de El Niño preocupa para o segundo semestre 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A inflação perdeu força em junho, principalmente pela queda nos preços de alimentos — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/07/2026 - 22:30 Inflação em junho desacelera, abrindo caminho para redução da Selic A inflação desacelerou em junho, com o IPCA registrando 0,16%, abaixo das expectativas. A queda nos preços de alimentos e combustíveis foi crucial, apesar de serviços ainda pressionarem. Economistas veem espaço para o Copom reduzir a taxa Selic em agosto. Contudo, o risco de El Niño preocupa, podendo impactar os preços no segundo semestre. A inflação anual está em 4,64%, acima da meta do BC. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Com um alívio nos preços de alimentos e combustíveis, a inflação surpreendeu o mercado ao ficar em 0,16% no mês passado, ante expectativa de 0,31% e de alta de 0,58% em maio. Foi a menor taxa para junho em três anos, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado ontem pelo IBGE. Para economistas, o resultado indica uma desaceleração dos preços e reforça a avaliação de que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), poderá cortar a Taxa Selic — hoje em 14,25% ao ano — em 0,25 ponto percentual na próxima reunião, nos dias 4 e 5 de agosto. — Pode oferecer mais segurança ao BC para a decisão da próxima reunião, haja vista que, além do bom comportamento dos núcleos de inflação (que captam a tendência dos preços, excluindo itens mais voláteis), o número geral foi inferior à projeção da própria instituição — resume Matheus Pizzani, economista do PicPay. A inflação perdeu força, principalmente, pela queda nos preços de alimentos. O recuo de 0,25% no grupo Alimentação e bebidas, que responde por mais de 20% do orçamento das famílias, ajudou a compensar a pressão do grupo Habitação, que subiu 0,63%, puxado pelo aumento na conta de luz. Comportamento dos preços — Foto: Criação O Globo Foi a primeira deflação em Alimentação e bebidas desde novembro do ano passado. Soma-se a isso a retração de 0,48% nos combustíveis. O diesel e a gasolina haviam disparado em março e abril, quando os preços do petróleo escalaram no mercado internacional por causa do conflito no Oriente Médio. Além disso, a produção de alguns alimentos vinha sofrendo com o clima. O IBGE atribuiu as quedas nos preços em junho às altas nos meses anteriores. No primeiro semestre, a gasolina foi o item que mais pressionou a inflação, com avanço acumulado de 6,37%. Tomate, carnes e refeição fora de casa também estão entre os que mais subiram. — A oferta de alguns alimentos estava reduzida, e também percebemos um impacto do preço dos combustíveis no frete. Agora, a maior oferta de alguns itens e a tendência de redução dos combustíveis contribuíram para aliviar o bolso — explicou Fernando Gonçalves, gerente do IPCA. A redução nos alimentos também ajudou a conter os preços dos serviços, que tiveram variação de 0,4% em maio e de 0,34% em junho, com o custo da refeição fora — seja lanche ou almoço em bares, ou restaurantes — recuando de 0,49% para 0,15%. Só o ramo da refeição responde por 16% da inflação de serviços. A perda de fôlego no preço da refeição amorteceu altas mais intensas de outros serviços, como os de passagem aérea, que passou de uma alta de 3,2% para 7%; de aluguel residencial (de 0,23% em maio para 0,45% em junho); e de transporte por aplicativo, que subiu de 0,56% para 1,8% no mesmo período. Alimentação surpreende Para Basiliki Litvac, economista especialista em inflação da XP, a surpresa com o resultado do IPCA veio por fatores que não estavam totalmente incorporados às projeções. Entre eles, os recuos inesperados nos preços de alimentos in natura e de carnes, além de uma leitura mais favorável dos serviços. Luciana Rabelo, economista do Itaú Unibanco, também percebeu uma composição melhor da inflação, principalmente dos serviços mais ligados à demanda, como alimentação fora do domicílio, aluguel, condomínio e diversos serviços pessoais. Esse grupo costuma ser acompanhado de perto pelo BC por refletir melhor a tendência da inflação. — As próximas divulgações devem seguir mostrando melhora dos núcleos (índice que exclui os itens mais voláteis), apoiados pela desaceleração dos preços de bens industriais e alimentos, em função da estabilização dos preços de petróleo. Esse conjunto reforça o cenário de mais um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, ainda que parte da surpresa venha de componentes mais voláteis — disse Luciana. A alimentação no domicílio, que reúne os produtos consumidos dentro de casa, recuou 0,39%, revertendo a alta de 1,65% de maio. A conta de luz, que está com bandeira amarela, continuou pressionando a inflação em junho, mas com menos força do que no mês anterior. A energia elétrica residencial desacelerou de uma alta de 3,67% em maio para 1,53% em junho. Foram aplicados reajustes por distribuidoras em Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte e retomado um aumento nas tarifas de uma concessionária do Rio. Em agosto, a entrada do bônus de Itaipu nas contas de luz deve segurar os preços de energia. Já os alimentos podem voltar a pressionar o índice diante das chances de formação do El Niño no segundo semestre, que pode ser o mais intenso em 75 anos, segundo o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês). No ano, o IPCA acumula alta de 3,36%, o maior índice desde 2022. Nos últimos 12 meses, está em 4,64%, acima do teto da meta de inflação do BC, de 4,5%. Pizzani manteve a projeção de 4,7% para o IPCA em 2026. Ele diz que ainda não incorporou possíveis efeitos do El Niño à estimativa, mas monitora o evento. "A maior oferta de alguns itens (alimentação) e a tendência de redução dos combustíveis contribuíram para aliviar o bolso” - Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE Os economistas também acompanham uma possível aceleração dos preços dos bens industriais, que podem ficar mais caros caso o cenário externo pressione mais os custos de produção e importação. Outro ponto de atenção é a inflação de serviços como restaurantes, salões de beleza e outros intensivos em mão de obra. Se continuarem a subir, podem contaminar o restante do grupo e dificultar a convergência da inflação para a meta, diz Pizzani. Basiliki, da XP, avalia que, embora o IPCA de junho fortaleça a expectativa de um corte da Selic em agosto e os próximos dados ainda devam refletir alívio nos preços de alimentos e combustíveis, é cedo para concluir que a desaceleração dos preços está consolidada: — Temos alguns riscos de pressão de custos que podem ser repassados por produtos e distribuídos ao longo da cadeia. Há ainda um mercado de trabalho aquecido, com serviços intensivos em mão de obra subindo acima do centro da meta de inflação.
Recuo da inflação reforça avaliação de que o BC pode voltar a cortar os juros na próxima reunião do Copom
IPCA de junho surpreendeu analistas ao ficar abaixo das estimativas. No entanto, Serviços seguem pressionados e risco de El Niño preocupa para o segundo semestre












