O IPCA de junho, com alta de apenas 0,16%, bem abaixo da expectativa mediana de 0,31% do mercado, foi o primeiro alívio em meses para a trajetória da inflação brasileira, mesmo que pontual.

O índice acumulado em 12 meses recuou para 4,64%, ante 4,72% em maio, ainda acima do teto oficial de 4,5%. Mesmo diante de incertezas externas, como a volatilidade dos preços do petróleo, pode haver algum espaço para o Banco Central continuar a reduzir os juros de forma cautelosa.

A melhora foi disseminada, abarcando produtos voláteis, como alimentos, bens industriais e serviços. A média anual das cinco medidas de núcleo de inflação mais usadas pelo BC e por analistas —que buscam medir a dinâmica de preços mais estrutural— passou de 4,64% para 4,43%.

Mesmo assim, segmentos que refletem pressões internas de demanda mantêm ritmo preocupante. O conjunto dos serviços ainda acumula alta próxima de 5,9% em 12 meses.

O cenário permanece cercado de riscos, ademais. A continuidade das tensões no Oriente Médio pode reverter a recente queda nos preços do petróleo e reacender pressões de custos.