A ideia de estruturar um mercado global para compra e venda de créditos de carbono ganhou corpo durante o histórico encontro ECO-92, realizado no Rio de Janeiro em 1992. Desde então, durante décadas, o debate sobre a criação de um instrumento econômico por intermédio do qual a manutenção da floresta em pé geraria lucro e renda e iniciaria um ciclo virtuoso de preservação ambiental e adaptação ao aquecimento global conheceu avanços e recuos, serviu de pretexto para projetos obscuros e para o greenwashing – em português, o ato de enganar o consumidor com embalagens cheias de expressões do mercado verde sem aplicar uma prática sequer de sustentabilidade – e jamais se estruturou globalmente na forma imaginada em 1997 pelo Protocolo de Kyoto e aperfeiçoada em 2015 no Acordo de Paris. O Brasil, anfitrião da mais recente conferência da ONU sobre mudanças climáticas – a COP30 – e ainda em busca de consolidar seu protagonismo ambiental internacional, terá nos próximos meses a oportunidade de se tornar vanguarda mundial no setor ao promover o maior leilão de créditos de carbono já realizado no País.

A expectativa do governo é gerar até 6 bilhões de reais em compras no leilão que acontecerá em outubro ou novembro, em data ainda a ser definida. Organizado pelo BNDES como parte da segunda fase do programa ProFloresta+, o leilão terá como foco a restauração florestal e permitirá a participação de diferentes setores econômicos interessados em projetos a serem realizados em todos os biomas brasileiros. A meta é alcançar 60 mil hectares restaurados e capturar, aproximadamente, 19 milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera. Em um primeiro momento, o BNDES está analisando as manifestações de interesse enviadas pelas empresas. Em seguida, vai estruturar contratos padronizados e organizar o processo competitivo para a seleção dos projetos de restauração. Após a proclamação do resultado do leilão, o BNDES financiará os projetos vencedores por meio de linhas de crédito de longo prazo com recursos do Fundo Clima.