Lançado em 2023 pelo Ministério da Fazenda em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, dentro do "Novo Brasil – Plano de Transformação Ecológica", o Eco Invest Brasil se tornou, em pouco tempo, um dos instrumentos mais concorridos do mercado financeiro nacional. Coordenado pelo Tesouro Nacional, o programa já realizou quatro leilões que, juntos, somam mais de R$ 140 bilhões mobilizados, segundo o Ministério da Fazenda. Com o quinto leilão, já anunciado e com expectativa de mobilizar mais R$ 50 bilhões, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, estima que o total acumulado pelo programa desde o lançamento se aproxime de R$ 200 bilhões — o equivalente a cerca de 2% do PIB brasileiro. É citado em fóruns especializados frequentemente como uma das principais apostas do mercado financeiro na transição ecológica. Mas o que torna o Eco Invest um programa tão bem sucedido em tão pouco tempo? Quais os diferenciais desse produto que tem por trás um instrumento financeiro, o blended finance, que é interessante, mas não é exatamente novo? Como as instituições financeiras estão se organizando internamente para participar de lances bilionários de investimentos em áreas como infraestrutura sustentável, recuperação de terras degradadas, bioeconomia, turismo sustentável, economia circular e sistemas agroflorestais? Para entender por que o modelo tem atraído tanto o interesse dos bancos quanto a demanda de clientes, e o que a equipe econômica do governo acertou no desenho do programa, o Prática ESG conversou com as áreas de sustentabilidade e crédito das principais instituições financeiras do país, que participaram dos certames. O que é o Eco Investe Brasil O modelo por trás desse resultado é o chamado blended finance: o Tesouro entra com capital concessional — mais barato e com prazos mais longos do que o mercado pratica — para reduzir o risco de projetos sustentáveis e atrair, na mesma operação, capital privado nacional e estrangeiro. Na prática, os bancos disputam, em cada leilão, o direito de administrar parte desse capital catalítico, e vencem os que se comprometem a mobilizar mais recursos privados adicionais para cada real público recebido. O desenho nasceu para endereçar um problema específico do investidor estrangeiro no Brasil, a volatilidade cambial, que torna caro proteger aplicações de longo prazo em projetos ecológicos e de descarbonização. Em evento organizado pela Amcham durante a SP Climate Week, o secretário-adjunto do Ministério da Fazenda, Rafael Dubeux, contou que a ideia inicial era criar um hedge cambial capaz de mobilizar mais poupança externa para o país. Evento organizado pela Amcham durante a SP Climate Week, que trouxe, entre os temas de destaque, o Eco Invest — Foto: Divulgação/ Amcham O mecanismo funciona em duas relações distintas, que não se confundem, explica Carla Rossi, sócia de Desenvolvimento e Financiamento de Projetos do escritório Lefosse Advogados. Na primeira, o Tesouro empresta ao banco vencedor do leilão o capital catalítico, a 1% ao ano, com prazo de dez anos, condicionado a que o banco capte um volume proporcional de capital privado e o aloque, somado ao dinheiro público, em projetos elegíveis daquele leilão. Na segunda, já fora do alcance do Tesouro, o banco negocia com o cliente final as condições de repasse desse capital — prazo, taxa, instrumento —, caso a caso, observado apenas eventuais limitações regulatórias, dependendo do respectivo leilão. "São dois momentos que não se misturam: essa relação é Tesouro-banco. Quem tem relação financeira com o Tesouro é só o banco", diz Rossi. Segundo ela, essa é a maior fonte de confusão sobre o programa: tomadores de crédito costumam achar que mantêm algum vínculo direto de crédito com o governo, o que não existe. Apesar da estrutura em comum, cada leilão tem destinação específica dos recursos e diferentes condições financeiras e exigências de alavancagem. O primeiro, em 2024, de dívida, mobilizou capital para SAF (combustível sustentável de aviação), economia circular, biocombustíveis e energia eólica e solar. O Itaú Unibanco liderou com R$ 8,15 bilhões, seguido por HSBC (R$ 7,25 bilhões) e Santander (R$ 6,8 bilhões), somando R$ 6,8 bilhões em capital catalítico do Tesouro para R$ 44,3 bilhões em investimento total esperado. O segundo leilão, realizado em meados de 2025, dedicado à recuperação de terras degradadas, atraiu Banco do Brasil, BNDES e Caixa Econômica Federal — juntos, quase 60% dos R$ 16,5 bilhões em capital catalítico disponibilizados —, além de BTG Pactual, Bradesco e Itaú entre os privados. Neste segundo, o Tesouro exigiu que 60% do capital privado captado viesse de instituições estrangeiras, num total de R$ 30,2 bilhões aplicados em projetos de recuperação produtiva. Já o terceiro leilão, voltado a operações de equity, teve demanda dez vezes maior que o esperado pelo Tesouro. Seis bancos foram selecionados a dividir R$ 15,2 bilhões em capital catalítico, com a condição de captar R$ 52,8 bilhões em recursos privados para investir em transição energética, infraestrutura verde, bioeconomia e economia circular. O Itaú levou a maior fatia, R$ 7,6 bilhões — o teto regulatório do programa impede que um único banco receba mais de 50% do total de cada leilão —, seguido por Caixa, Bradesco, HSBC, BNDES e Banco do Brasil. O resultado foi apresentado em janeiro de 2026. Já o quarto leilão, em maio de 2026, teve foco em bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura na Amazônia. Ao todo, foram homologados R$ 3,1 bilhões em capital catalítico para destravar R$ 13,2 bilhões em investimentos, após o Tesouro recusar cerca de metade das propostas para forçar mais competitividade entre os bancos. O Banco do Brasil ficou com a maior fatia (R$ 1,5 bilhão, ou 48% do total, alavancando R$ 6,4 bilhões), seguido por BTG Pactual, Bradesco — que destinou 24% do seu volume à bioindustrialização — e a estreante ABC Brasil. Os bancos já começaram a liberar os recursos para os projetos. Um dos primeiros desembolsos foi para a Acelen, produtora de biocombustível controlada pelo fundo Mubadala Capital, fechou um empréstimo de R$ 4 bilhões pelo Eco Investe com o HSBC, ainda com recursos do primeiro leilão. O Bradesco já desembolsou R$ 1,7 bilhão dos R$ 3,6 bilhões captados também no primeiro leilão para financiar a modernização da rede elétrica da Neoenergia — Elektro e Coelba, R$ 1 bilhão —, a gestão de resíduos e produção de biometano da Solví, R$ 800 milhões, a expansão da produção de biodiesel da Oleoplan, R$ 300 milhões, e a reciclagem de plásticos da Cirklo, R$ 220 milhões. "Já desembolsamos R$ 1,6 bilhão em duas operações, com a Usina Prata e com a Bracell. Temos 5 operações já mandatadas, 1,3 bilhão mandatado, devemos desembolsar em mais um mês. Somado a isso, temos ainda R$ 3 bilhões dos R$ 4,9 bilhões levantados no leilão de terras degradadas já com demanda", comenta Rogério Stallone, líder da área de crédito do BTG Pactual. O Itaú Unibanco também já realizou 13 operações que somaram R$ 6,3 bilhões de recursos do primeiro leilão, a exemplo do R$ 1,07 bilhão para a Sabesp melhorar e fazer manutenção de sistemas de água e esgoto em regiões vulneráveis, e de R$ 531 milhões para a Volkswagen investir em ganhos de eficiência energética nas plantas. Os desembolsos do segundo leilão já começaram, com três operações recebendo R$ 171 milhões, a exemplo da Adecoagro, que pretende usar os R$ 100 milhões captados para restaurar 4 mil hectares de pastagens degradadas em área produtiva para cultivo de cana-de-açúcar em Ivinhema (MS). Mas o que atrai esses bancos e seus clientes? O que atraiu os bancos Quando questionados sobre o que atrai o setor financeiro, o ponto em comum nas respostas é a combinação entre capital mais barato e prazos mais longos do que os praticados na prateleira tradicional de crédito. É essa combinação que permite ao banco repassar ao cliente final taxas mais competitivas. "Primeiro, é atraente para os bancos. Capital catalítico, disponibilizado pelo Tesouro a uma taxa de 1% [ao ano], é fundamental. Em paralelo, o banco que entra no leilão tem que captar recurso e capital catalítico que se torna, ao cliente, um recurso com taxa atraente, entre 5% e 7%, por exemplo", conta José Roberto Sasseron, vice-presidente de Negócios Governo e Sustentabilidade Empresarial no Banco do Brasil . Para o Bradesco, o programa reforçou um movimento que já estava em curso dentro do banco, o de transformar a sustentabilidade em métrica de negócio, e não apenas manter como discurso institucional. Segundo a executiva Fabiana Costa, Superintendente de Sustentabilidade no Banco Bradesco, responsável pela agenda de negócios sustentáveis e mudanças climáticas do banco, a área tem trabalhado para quantificar o avanço da estratégia de sustentabilidade como parte inerente da forma como o banco faz negócios — e não como uma pauta apartada das áreas comerciais. "Não é produto de prateleira, é individualizado", comenta, ao falar sobre a originação dos negócios da linha Eco Invest. Luciana Nicola, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade no Itaú Unibanco, acredita que o Eco Invest ajudou a "tangibilizar" o conceito de blended finance para o mercado. O capital catalítico público, explica a executiva, reduz o risco da operação e viabiliza prazos mais longos do que o crédito tradicional permite, o que destrava projetos que, de outra forma, não seriam economicamente viáveis. Nicola também destacou a proteção cambial embutida no desenho do programa como um diferencial decisivo para atrair o investidor estrangeiro, já que a volatilidade do câmbio brasileiro costuma encarecer demais a proteção de aplicações de longo prazo. "Para a atração do capital estrangeiro, ter a proteção cambial foi super importante." Outro diferencial do programa em relação a outras políticas de acesso a recursos é a exigência de comprovação de impacto. "É dar critérios e exigir que esse impacto seja comprovado", diz Silvia Menicucci, líder de Relações Institucionais e Governamentais do Santander, durante painel organizado pela Amcham que tratou sobre Eco Invest, entre outros temas. banco, aponta Menicucci, acrescentando que essa exigência de asseguração recai diretamente sobre as instituições financeiras, que precisam acompanhar se o cliente é capaz de comprovar o impacto que o programa exige. O Santander também é o banco mais preciso ao quantificar quanto conseguiu captar de organismos multilaterais especificamente para projetos do Eco Invest: US$ 250 milhões da International Finance Corporation (IFC), braço do Grupo Banco Mundial, e US$ 100 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). No BTG Pactual, os executivos Rogério Stallone, sócio responsável pela área de crédito corporativo chama atenção para o próprio desenho do critério de desempate dos leilões, no qual o banco que compromete mais capital privado adicional tende a levar uma fatia maior dos recursos. Segundo ele, esse critério é o que garante transparência ao processo — evita contestações de bancos que não venceram — e ao mesmo tempo estimula a concorrência entre as instituições. Do lado da atração de capital internacional, Rafaella Dortas, sócia responsável por ESG, conta que os investidores estrangeiros têm curiosidade específica em entender os padrões de exigência do Tesouro brasileiro e como eles se comparam aos critérios já praticados por essas instituições em outros países, a harmonização de padrões." Rafaella Dortas, sócia responsável por ESG, em evento da AYA Earth Partners na SP Climate Week — Foto: Naiara Bertão/ Valor Para advogados do escritório de advocacia Lefosse, que assessora bancos e empresas em operações do programa, o apelo do Eco Invest vai além do custo baixo do capital. "Tem investidor que só tem bolso para isso — fundos que só investem em produtos ESG, em produtos voltados para alguma função social", diz Ricardo Prado, sócio de Mercado de Capitais do escritório. "Você tem ali um ecossistema quase perfeito para alocação de recursos." Segundo ele, essa combinação dá ao banco "um apelo, uma vantagem não só econômica" para tomar esse tipo de recurso — e à empresa tomadora, um produto que soma custo menor a um selo de sustentabilidade que também atrai investidores. Ana Paula Calil, sócia do escritório Cascione Advogados, especializada em Mercado de Capitais, Societário, Fusões e Aquisições e Private Equity, chama atenção para outro traço do desenho do programa, a abertura a qualquer instituição financeira, sem restrição de porte. "O Eco Invest Brasil é um programa aberto para todos os bancos. Todas as instituições financeiras podem participar", diz Calil. Segundo ela, desde que o projeto se enquadre no setor do respectivo leilão e cumpra as salvaguardas previstas nos manuais e portarias, a instituição financeira tem liberdade para escolher o projeto que quer financiar. Essa flexibilidade, somada à taxa de juros baixa do capital público, criou "uma nova lógica de parceria" entre o setor público e o privado, inclusive para projetos de maior risco. "Com uma linha de crédito mais barata e o governo entrando com parte do capital, aumenta o apetite de risco do investidor", afirma Ana Paula Calil. Luciana Nicola, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade no Itaú Unibanco: Luciana Nicola, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade no Itaú Unibanco: "Para a atração do capital estrangeiro, ter a proteção cambial foi super importante." — Foto: Itaú Unibanco/ Divulgação Um trabalho a muitas mãos Ainda que nem todos os bancos que participaram já trabalhavam com todas as áreas financiáveis do Eco Invest, as instituições financeiras não precisaram fazer grandes manobras internas para se adequar e passar a oferecer essas novas linhas aos clientes. "Não precisamos criar uma equipe dedicada para o Ecoinvest. Esse trabalho é transversal", diz José Roberto Sasseron, executivo do Banco do Brasil, e adiciona que o tema dialoga com muitas diretorias. Bradesco , BTG e Itaú relatam movimento semelhante, aproveitaram as estruturas de sustentabilidade, crédito e risco que já existiam internamente, em vez de montar times paralelos. "Já estávamos estruturados de forma que conseguimos endereçar. Já temos sinergia com o banco de investimento e, por isso, não precisou criar novos times", diz a executiva Fabiana, do Bradesco. "Não criamos novos cargos, mas o que fizemos foi juntar as áreas que trabalham com finanças sustentáveis", diz Luciana Nicola do Itaú. Isso não significa, porém, que o trabalho seja simples. Participar de um leilão do Eco Invest exige um fluxo contínuo entre diversas áreas do banco, que precisam dialogar para analisar cada proposta de leilão e decidir qual será o "bid", o lance que pode ser dado. Para isso, as instituições vão, primeiro, conversar com potenciais clientes para entender o apetite do mercado. Só depois desenham uma oferta que faça sentido do ponto de vista financeiro e que seja faccível de cumprir a exigência de captar investidores internacionais — parte obrigatória do desenho do programa, não uma opção. Só depois distribui essas linhas de financiamento até o cliente final, o que envolve também capacitar a ponta da cadeia. O escritório Lefosse aponta ainda que a exigência de comprovação reduz o risco de greenwashing, ao impor às empresas um nível extra de preparo. "Não é simplesmente pegar o recurso — elas também têm que se preparar para atender aos KPIs exigidos pelo Eco Invest ou pela instituição financeira, que vai fazer diligência e acompanhamento ao longo do tempo", diz Ricardo Prado, sócio de Mercado de Capitais do escritório. Dentre as exigências, Ana Paula Calil, do Cascione Advogados, destaca os manuais e portarias de cada leilão trazem salvaguardas socioambientais, um conjunto de providências que as instituições financeiras precisam cumprir, e repassar aos tomadores do crédito, para que os projetos financiados não causem danos ambientais ou sociais significativos durante sua execução. Segundo ela, essas salvaguardas viram obrigações contratuais nos próprios documentos de dívida ou investimento. Se descumpridas, o banco pode ter que devolver antecipadamente os recursos tomados do Tesouro. Na prática, segundo a advogada, o Eco Invest também aproximou áreas dentro dos escritórios e dos próprios bancos: "Com o Eco Invest houve uma atuação mais próxima das áreas de ESG e ambiental com o setor de financiamento." Para as empresas financiadas, diz ela, o principal desafio tem sido justamente esse — implementar as salvaguardas e os programas de monitoramento exigidos pelas instituições financeiras. No Itaú, Luciana descreve esse processo como uma camada de diligência prévia ao próprio lance do leilão: antes de decidir quanto ofertar, o banco mapeia a carteira de clientes e os projetos que poderiam ser financiados com aquele volume de recursos, para então construir a proposta. Depois de vencido o leilão, o acompanhamento não termina. O banco monta uma governança que vai da concepção do negócio até o comitê de ESG do banco de investimento, com checagens periódicas do uso dos recursos e do impacto declarado por cada cliente. No Banco do Brasil, a capilaridade territorial é um diferencial, segundo Sasseron, especialmente para conseguir atender negócios da bioeconomia. Cita que a instituição financeira tem um hub de bioeconomia com atuação no Pará, no Amazonas, no sul da Bahia, em Cuiabá e no restante do Centro-Oeste, formado por agentes de crédito que vão até comunidades ribeirinhas e extrativistas para levar orientação e, em alguns casos, abrir a primeira conta bancária de produtores que nunca tiveram acesso ao sistema financeiro. Apesar do volume mobilizado, os bancos reconhecem que o Eco Invest não foi desenhado para atender qualquer porte de projeto. No Itaú, Luciana Nicola explica que a viabilidade econômica e o grau de maturidade socioambiental exigidos pelo programa acabam limitando a entrada de projetos menores, mesmo quando o banco tenta reduzir o patamar de exigência. Segundo ela, essa não é a proposta do Eco Invest: para esse outro nível de maturidade, existem outros mecanismos, como a plataforma BIP, o Fundo Clima e linhas do BNDES, que fazem parte de um ecossistema mais amplo de financiamento à transição ecológica. Fabiana Costa, Superintendente de Sustentabilidade no Banco Bradesco: "Não é produto de prateleira, é individualizado." — Foto: Banco Bradesco/ Divulgação Equity ainda é terreno em construção A entrada do Eco Invest em operações de participação societária, a partir do terceiro leilão, trouxe uma camada de complexidade nova para os bancos, mais acostumados a operar no crédito. No Bradesco, a executiva Fabiana descreve o equity como "um mundo completamente diferente" do que o banco já fazia em dívida, com aprendizado significativo ao lidar com fundos e ativos específicos — um processo que, segundo ela, ainda está em curso nos leilões mais recentes. No Itaú, o terceiro leilão mobilizou R$ 29,2 bilhões, dos quais R$ 7,6 bilhões em capital catalítico e R$ 21,7 bilhões em recursos privados captados, segundo Luciana. Uma das inovações do leilão, segundo ela, foi o uso do TRL — sigla em inglês para nível de maturidade tecnológica — como critério de elegibilidade dos projetos, o que trouxe complexidade adicional para a estruturação das operações. Já o BTG Pactual afirma trabalhar as duas frentes, crédito e equity, dependendo da estrutura que cada cliente busca — o banco tem, inclusive, um fundo próprio dentro da área de asset management dedicado à recuperação de terras degradadas. O Banco do Brasil também já mantém participações minoritárias em empresas ligadas à agenda climática, caso de uma companhia de agrorobótica especializada em captura de carbono no solo. Carla Rossi, sócia de Desenvolvimento e Financiamento de Projetos do escritório Lefosse Advogados: O mecanismo funciona em duas relações distintas, Tesouro-banco e banco-cliente — Foto: Lefosse Advogados/ Divulgação O que vem no quinto leilão O quinto leilão do Eco Invest, com regras apresentadas pelo Tesouro Nacional ao mercado financeiro em junho, muda o foco dos leilões anteriores: em vez de dívida, terras degradadas ou equity, a rodada volta-se para a inovação tecnológica em seis cadeias produtivas estratégicas, entre elas fertilizantes e combustíveis verdes, automação com inteligência artificial, minerais críticos, baterias e química verde. O desenho prevê aporte de até R$ 2,5 bilhões do Tesouro para Fundos de Inovação Eco Invest e mais R$ 1 bilhão para uma linha de crédito corporativo, com exigência de contrapartida mínima de capital privado equivalente ao dobro do capital público aportado. O quinto leilão traz ainda uma exigência inédita, como aponta Ana Paula, do Cascione Advogados: pelo menos 10% dos investimentos da carteira de cada fundo precisam ser destinados a projetos de inovação desenvolvidos em parceria com universidades — uma forma de direcionar capital privado para a pesquisa acadêmica brasileira. Com o quinto leilão, o Eco Invest passa a testar se o mesmo modelo que atraiu bancos e investidores para dívida, recuperação de terras e participação societária também funciona para financiar tecnologias ainda em fase de maturação, um terreno historicamente mais arriscado, e que, segundo o Tesouro, pode ver até 86% dos projetos de uma carteira não darem certo. Se a expectativa do governo se confirmar, o programa deve encerrar essa quinta rodada com um volume mobilizado próximo de R$ 200 bilhões desde o lançamento, em 2023.
Por que os grandes bancos estão de olho no Eco Invest Brasil
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