Luzes amarelas começam a ser acesas nos painéis de controle da atividade econômica do Brasil. Alguns analistas de renome, como Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, e o presidente da Itaúsa, Alfredo Setubal, já apontam para uma quebra no crescimento econômico em 2027, embora pequena. A Pesquisa Focus, o levantamento semanal do Banco Central entre cerca de 150 consultores do mercado, projeta o avanço do PIB de 2027 para 1,52%, o que não passaria do chamado voo de galinha.Consumo atirou 50% das famílias ao endividamento e à inadimplência Foto: Werther Santana/EstadãoPUBLICIDADEPor trás dessa preocupação, está a inexorável necessidade de ajuste fiscal que, com os juros altos, poderá acentuar a redução da atividade econômica, que pode já ter começado.Fator perturbador é o tamanho da dívida pública – agora perto dos 82% do PIB – e, mais do que isso, a velocidade com que vai crescendo, em cerca de 4 pontos porcentuais ao ano.Não há como negar esse fato estatístico. Aí começam certas divergências. A maior parte dos analistas atribui o esticão da dívida ao aumento do rombo fiscal, que o governo Lula tenta disfarçar. PublicidadeUm segundo grupo aponta o indicador para os “juros exorbitantes”, que engrossam a dívida mais do que o déficit público. Um terceiro grupo avalia que o Tesouro vem sofrendo concorrência predatória dos fundos incentivados de investimento, que tiram mercado dos títulos do Tesouro, aumentam demais a remuneração desses ativos e incham a dívida.A divergência desemboca nos desdobramentos de política pública. O que é para combater primeiro: o déficit, os juros ou a baixa poupança? Trata-se de um fenômeno complexo como os grandes congestionamentos de trânsito, para os quais causas diferentes convergem: é a ineficiência do transporte público, é a volta às aulas, é a chuva, são os acidentes que bloqueiam ruas e avenidas e vai por aí.Uma derrubada artificial dos juros repetiria a experiência da presidente Dilma, que terminou em desastre, na recessão e no impeachment. PublicidadeA solução passaria por um ajuste responsável das finanças públicas, não o alardeado pelo presidente Lula no seu programa de governo, mas o que enfrentasse a gastança e que deixasse de trabalhar contra a política de juros.É claro que uma política fiscal responsável não dispensaria políticas complementares, como a que desse prioridade à formação de poupança em relação ao aumento insustentável do consumo que atirou 50% das famílias ao endividamento e à inadimplência. A solução do problema está longe de ser exclusivamente técnica. É preponderantemente política porque exige que o Congresso esteja disposto a aceitar sacrifícios impopulares, que tiram voto.Vale ler tambémO agro pede previsibilidade, não privilégios, para enfrentar um período desafiadorComo os donos de restaurantes estão lidando com as mudanças radicais que estão ocorrendo no setorFundos têm pressa e buscam fechar compra da Amil antes das eleições
Opinião | O custo do consumismo e do rombo não pode ser ignorado por uma política fiscal responsável
A solução não é exclusivamente técnica, mas também política, pois exige que o Congresso esteja disposto a aceitar sacrifícios impopulares que tiram voto









