A propósito do artigo "Desmonte ambiental é vendido sob a falácia da 'eficiência'" (5/8), publicado nesta Folha, cabe esclarecer as imprecisões sobre a Sabesp e alertar: reduzir o saneamento a uma disputa política é ignorar sua dimensão institucional e o desafio de preparar a infraestrutura para estiagens cada vez mais extremas. É sob essa ótica que a gestão da companhia paulista deve ser avaliada.

Assumimos em 2024 um grande desafio: levar água tratada e coleta de esgoto a todos os paulistas. No estado mais rico do país, mais de 3 milhões de pessoas continuavam sem coleta e tratamento de esgoto, e milhares sem acesso à água potável. Uma dívida histórica que nós, "sabespianos" de carreira, sonhávamos quitar.Colocamos em prática o maior programa de saneamento do Brasil, antecipando para 2029 a universalização no estado, quatro anos antes do Marco Legal do Saneamento. Em menos de dois anos, conectamos cerca de 2 milhões de pessoas à água tratada pela primeira vez; outras 2,3 milhões passaram a contar com coleta de esgoto e 4,5 milhões com esgoto tratado. Significa menos doenças, mais qualidade de vida e respeito ao meio ambiente.

Estudo do Instituto Trata Brasil mostra que a Sabesp respondeu por quase um quarto de todo o investimento em saneamento do país em 2024. Não há dinheiro público: os R$ 70 bilhões que estão sendo investidos vêm da iniciativa privada, e 75% do lucro líquido de 2025 (R$ 6,3 bilhões) serão reinvestidos na expansão do saneamento. Os recursos destinados ao governo do estado de São Paulo, maior acionista, alimentam o Fundo de Universalização, e duplicamos o número de famílias com tarifa social.