Veja como a falta de saneamento básico impacta diretamente os indicadores de saúde pública nas cidades brasileiras. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Odair José Mannrich — Foto: Divulgação O saneamento básico é um dos pilares mais decisivos para a qualidade de vida em qualquer território, sobretudo onde a rede pública ainda não chega a todas as residências. Tendo isso em vista, a ausência de esgoto tratado e água potável se converte rapidamente em números preocupantes nos indicadores de saúde pública das cidades. Sob este olhar, o engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, Odair José Mannrich, evidencia que o problema ultrapassa a esfera técnica e atinge diretamente o cotidiano das famílias, que convivem com doenças evitáveis, gastos hospitalares crescentes e perda de produtividade. Com isso em mente, a seguir, veremos como essa conexão acontece exatamente, quais os impactos na incidência de doenças de veiculação hídrica e a importância da expansão da cobertura do saneamento. Por que o saneamento básico sustenta os indicadores de saúde pública? Para Odair José Mannrich, essa infraestrutura atua como uma barreira sanitária invisível, diminuindo o contato da população com os agentes patogênicos presentes no esgoto não tratado. Quando essa barreira não funciona, microrganismos que provocam diarreia, hepatite A e verminoses se espalham mais facilmente em rios, poços e sistemas de abastecimento de água improvisados, aumentando a pressão sobre os postos de saúde e os hospitais da região. Como a engenharia sanitária reduz doenças de veiculação hídrica? A engenharia sanitária atua justamente nesse ponto, projetando redes de coleta, estações de tratamento e sistemas de distribuição capazes de interromper o ciclo de contaminação. Odair José Mannrich explica, assim, que cada etapa do tratamento de esgoto elimina progressivamente cargas de contaminantes que, se descartadas in natura, retornariam ao ambiente e, mais tarde, ao contato direto com a população. Ou seja, é uma lógica simples de entender, entretanto, que exige um investimento contínuo, pois, sem manutenção das redes já existentes e sem expansão para bairros periféricos, os ganhos sanitários conquistados em uma região não se replicam automaticamente para o restante da cidade, criando bolsões de vulnerabilidade sanitária dentro do mesmo município. Os principais indicadores afetados pela falta de saneamento Os efeitos aparecem primeiro nos registros de atendimento infantil, já que crianças pequenas são as mais vulneráveis à desidratação causada por quadros diarreicos recorrentes. Em seguida, os números de internações por doenças gastrointestinais e hepáticas tendem a subir em regiões onde o esgoto corre a céu aberto, revelando uma correlação direta entre infraestrutura ausente e demanda hospitalar. Entre os principais indicadores de saúde pública afetados pela ausência de saneamento básico, destacam-se: Aumento nas taxas de mortalidade infantil associada a doenças diarreicas;Elevação no número de internações por hepatite A e leptospirose;Maior incidência de verminoses em crianças em idade escolar;Redução da expectativa de vida em regiões sem rede de esgoto;Sobrecarga recorrente dos sistemas de atenção básica em saúde. Esses indicadores não caminham isolados. Cada um reflete uma falha estrutural que poderia ser evitada com investimento planejado em redes de água e esgoto, além de monitoramento contínuo da qualidade da água distribuída à população em todas as regiões da cidade. O papel da gestão pública na ampliação do saneamento básico Levando isso em conta, ampliar o saneamento básico depende de planejamento urbano integrado, que una obras de infraestrutura à fiscalização sanitária e à educação em saúde, como pontua Odair José Mannrich. Desse modo, municípios que tratam o saneamento como prioridade orçamentária, e não apenas como obra emergencial, conseguem reduzir de forma consistente a reincidência de doenças de veiculação hídrica ao longo dos anos. Saneamento básico como investimento permanente em saúde pública Assim sendo, cada real investido em rede de esgoto resulta em menos atendimentos de urgência e menos anos de vida perdidos por doenças evitáveis. Nesse sentido, a engenharia sanitária deixa de ser apenas um detalhe técnico e passa a ocupar o centro das políticas de saúde pública, funcionando como a base para qualquer avanço social duradouro nas cidades brasileiras.
Odair José Mannrich, especialista em engenharia, analisa a relação entre o saneamento básico e a saúde pública
Veja como a falta de saneamento básico impacta diretamente os indicadores de saúde pública nas cidades brasileiras.










