Veja como a falta de saneamento básico compromete a economia dos municípios e eleva custos que vão muito além da saúde pública. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Odair José Mannrich — Foto: Divulgação O saneamento básico ainda é um desafio estrutural em boa parte do território nacional, e os efeitos dessa lacuna ultrapassam a esfera da saúde pública. Tal como ressalta o engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, Odair José Mannrich, a ausência de rede de esgoto, tratamento de água e coleta adequada de resíduos gera prejuízos econômicos que atingem diretamente a produtividade e o orçamento dos municípios. Afinal, quando a infraestrutura sanitária é insuficiente, o impacto se espalha por diferentes frentes: aumento de gastos com saúde, perda de dias de trabalho, queda na arrecadação e menor atratividade para investimentos. Pensando nisso, ao longo deste artigo, detalharemos esses efeitos e como a gestão pública pode transformar o saneamento em vetor de desenvolvimento local. Como a falta de saneamento básico gera custos indiretos na saúde? De acordo com Odair José Mannrich, a ausência de tratamento adequado de água e esgoto favorece a proliferação de doenças de veiculação hídrica, como diarreias, hepatite A e verminoses. Cada internação decorrente desses quadros representa gasto direto para o sistema público de saúde, recurso que poderia ser direcionado a outras prioridades sanitárias dos municípios. Isto posto, o problema não se limita ao tratamento imediato dos pacientes. Famílias afetadas por doenças recorrentes gastam mais com medicamentos e consultas, reduzindo sua capacidade de consumo em outros setores da economia local, o que gera um efeito cascata sobre o comércio e os serviços da região. Qual a relação entre saneamento básico e perda de produtividade? Trabalhadores adoecidos por falta de saneamento básico se ausentam do emprego com mais frequência, e essa ausência tem custo mensurável. Empresas perdem eficiência, contratos atrasam e a economia municipal desacelera. Inclusive, esse é um dos efeitos mais subestimados quando se discute infraestrutura sanitária no país. Além do absenteísmo, há o impacto sobre o desenvolvimento infantil, pois, como reflete o engenheiro Odair José Mannrich, crianças expostas a ambientes insalubres adoecem mais e faltam mais à escola, o que compromete a formação educacional e, no longo prazo, reduz a qualificação da força de trabalho disponível nos municípios menos assistidos. Os efeitos econômicos indiretos da falta de saneamento básico Municípios com infraestrutura sanitária precária enfrentam obstáculos que vão além da saúde da população. Tendo isso em vista, entre os principais reflexos econômicos estão:Redução na arrecadação de impostos, já que empresas evitam se instalar em regiões sem infraestrutura básica;Valorização imobiliária estagnada, visto que áreas sem saneamento têm menor atratividade para moradia e comércio;Custos ambientais elevados, com contaminação de rios e solo, que exigem investimentos futuros em recuperação;Menor competitividade turística, já que destinos sem saneamento adequado perdem visibilidade e visitantes. Esses pontos mostram que o problema não fica restrito ao campo sanitário e, conforme enfatiza Odair José Mannrich, ele se converte em barreira concreta para o crescimento econômico dos municípios, afetando desde a geração de empregos até a capacidade de investimento em outras áreas essenciais. O caminho para transformar o saneamento básico em desenvolvimento O panorama mostra que investir em saneamento básico não é apenas uma questão sanitária, mas uma decisão estratégica que define o ritmo de desenvolvimento dos municípios. Cada avanço nessa área reduz custos ocultos, fortalece a saúde da população e amplia a capacidade produtiva local. Logo, os gestores que enxergam o saneamento como um investimento, e não como um gasto, colhem resultados mais consistentes ao longo do tempo. Desse modo, repensar prioridades orçamentárias nesse sentido pode ser o passo decisivo para que municípios brasileiros alcancem um crescimento econômico mais sólido e para que a universalização do saneamento no Brasil seja atingida.
Falta de saneamento básico eleva custos nos municípios brasileiros, avalia Odair José Mannrich, especialista do setor
Veja como a falta de saneamento básico compromete a economia dos municípios e eleva custos que vão muito além da saúde pública.











