Levar infraestrutura a um território é um dos caminhos mais eficazes para impulsionar o desenvolvimento econômico, a conservação ambiental e a qualidade de vida. Quando aliada à inovação, essa transformação ganha escala: novas tecnologias tornam o saneamento básico mais eficiente, ampliam o acesso aos serviços e geram impactos concretos para comunidades, bairros e cidades. Em um momento em que a inovação ocupa o centro das discussões sobre o futuro das cidades — tema que pautou debates recentes durante o Rio Innovation Week —, iniciativas no setor de saneamento mostram como tecnologia e infraestrutura podem produzir resultados concretos para a população. Na Águas do Rio, essa visão faz parte da operação diária. A concessionária da Aegea utiliza tecnologia para ampliar o acesso ao saneamento e promover transformação social, especialmente em favelas e periferias, territórios que reúnem milhões de pessoas e concentram grande potencial de empreendedorismo e produção cultural. Os resultados dessa estratégia podem ser vistos em diferentes comunidades atendidas pela concessionária, onde obras de infraestrutura e soluções inovadoras vêm redefinindo o acesso ao saneamento. Um dos exemplos é a Rocinha, na Zona Sul do Rio, onde a Águas do Rio investiu quase R$ 2 milhões na reestruturação do abastecimento, removendo 800 kg de tubulações improvisadas e instalando mais de 1km de rede. Na comunidade, a intervenção eliminou riscos de acidentes e garantiu abastecimento regular de água para cerca de 16 mil moradores. O influenciador Ruan Juliet, que mora na Rocinha há 22 anos, acompanhou de perto essa transformação. — Já presenciei muitos casos em dia de chuva, alagamentos, moradores sendo carregados, famílias perdendo suas casas. Na região conhecida como Roupa Suja, tinham canos que causavam muitos acidentes. Com a obra, eles foram removidos. E a água agora está chegando com mais qualidade em algumas áreas — contou ele. ANTES - Ligações clandestinas que atravessavam vielas na Rocinha, os chamados "macarrões", foram retirados e a água regularizada — Foto: Divulgação DEPOIS - Ligações clandestinas que atravessavam vielas na Rocinha, os chamados "macarrões", foram retirados e a água regularizada — Foto: Divulgação Já na Maré, na Zona Norte, estão sendo investidos R$ 120 milhões na instalação de 18km de tubulações de esgoto e modernização da rede de abastecimento para levar água tratada a 60 mil imóveis. A obra é realizada com o auxílio do “tatuzinho”, tecnologia que perfura o solo sem abrir valas nas ruas, reduzindo o impacto no dia a dia dos 200 mil moradores do conjunto de favelas. O esgotamento sanitário da Maré vai impedir que 1,3 bilhão de litros de esgoto cheguem à Baía de Guanabara todos os meses. Para Radamés Casseb, CEO da Aegea, os exemplos da Rocinha e da Maré mostram apenas uma parte do potencial que a inovação ainda pode trazer ao setor: — Por conta da falta de investimentos em saneamento, cem milhões de pessoas no Brasil não têm acesso à água tratada e coleta e tratamento de esgoto. Isso não vai ser resolvido com mágica. É fruto do trabalho, movimento de escavação, construção de tubo e conscientização das pessoas. A inovação está nas coisas simples. O campo das novas tecnologias pode deixar a solução dos problemas mais eficiente, mais simples, barata. Isso está só começando — afirmou. Tatiana Cairus, diretora de Relações Institucionais da Aegea, ratificou a visão de Casseb, destacando que a transformação visível na capital fluminense deve chegar a todo o país: — É importante a união de forças das entidades públicas e privadas, em todo o Brasil, para que sejam cumpridas as metas da universalização do saneamento até 2033. A concessão do Rio de Janeiro é uma das primeiras do país pós Marco Regulatório do Saneamento, que trouxe regras claras, como a meta de atingir 90% da população com esgotamento sanitário e 99% do fornecimento de água tratada e 25% de redução de perdas. Estamos no início de uma jornada com resultados importantes. Radamés Casseb, presidente da Aegea, durante participação no Rio Innovation Week — Foto: Divulgação/Águas do Rio Saúde começa no saneamento Se as obras transformam a infraestrutura das cidades e preservam o meio ambiente, seus efeitos mais profundos aparecem na saúde da população. O acesso à água potável e aos serviços de coleta e tratamento de esgoto é determinante para reduzir a incidência de doenças de veiculação hídrica, infecções e outros problemas de saúde que afetam, sobretudo, crianças e moradores de periferias, favelas e comunidades ribeirinhas. A falta de saneamento básico compromete não apenas a qualidade de vida, mas também amplia desigualdades históricas, sobrecarrega o sistema de saúde e limita oportunidades de desenvolvimento para milhões de brasileiros. — Usando as palavras do Dr. Drauzio Varella, nos últimos cem anos, nada foi mais importante para a expectativa de vida do que a água potável. Uma família que não tem água tratada para beber ou que tem contato diário com o esgoto na porta de casa, fatalmente, terá muito mais doenças. A pessoa adoece, não trabalha. A criança adoece, não aprende. Dentro desse recorte estão principalmente os negros e pobres — avaliou Édison Carlos, presidente do Instituto Aegea. No Complexo do Alemão e muitas outras comunidades em territórios íngremes, tubulações de água e esgoto são instaladas por profissionais treinados em rapel — Foto: Divulgação Saneamento transforma ecossistemas Os impactos do saneamento vão além da saúde pública. As mesmas soluções que ampliam o acesso à água tratada e à coleta de esgoto também aceleram a recuperação de rios, lagoas, praias e ecossistemas, contribuindo para a preservação ambiental e uma relação mais sustentável com os recursos hídricos. No estado do Rio, as operações de saneamento já evitam o lançamento de 134 milhões de litros de esgoto por dia na Baía de Guanabara. A limpeza do interceptor oceânico, que coleta o esgoto do Centro e da Zona Sul, permitiu que a tubulação voltasse a operar em plena capacidade. Na Praia do Flamengo, a elevatória da Praça do Índio e o desvio do Rio Carioca evitam o despejo de 22 milhões de litros de esgoto por dia. Em Paquetá, a coleta e o tratamento foram universalizados em setembro de 2023 para os 3.500 moradores, com estações de bombeamento e uma tubulação subaquática que leva o esgoto da ilha para tratamento em São Gonçalo. A recuperação das águas também impulsiona a pesca, os esportes aquáticos e o turismo, atraindo visitantes e competições e gerando emprego e renda em um movimento de fortalecimento da economia circular. — A inovação faz sentido quando se reverte em benefício para a sociedade, quando traz uma solução economicamente viável, gera inclusão, bem-estar e qualidade de vida. Tem que ser a serviço da sociedade, da humanidade. E estamos experimentando isso no dia a dia. É um caminho sem volta — observou Sinval Andrade, diretor institucional da Águas do Rio. Após décadas poluída por esgoto, praia do Flamengo está própria para banho, vira point carioca e gira a economia local — Foto: Divulgação Reciclagem impulsiona inclusão O impacto da infraestrutura também se estende à gestão de resíduos, área em que inovação e economia circular criam oportunidades de desenvolvimento social e ambiental. O Brasil gera cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos por ano, mas aproximadamente 30 milhões de toneladas ainda têm como destino os lixões. Ampliar a reciclagem e a destinação adequada reduz a pressão sobre os aterros, diminui os impactos ambientais e cria oportunidades de emprego e renda para comunidades. — A recuperação de resíduos no Rio está em torno de 2,6%. Estudos apontam que investimentos em triagem e separação de resíduos podem gerar novos postos de trabalho. O Rio tem 6,5 milhões de habitantes. Se avançarmos com o trabalho das cooperativas e dos catadores, que hoje são 30 e empregam cerca de 500 pessoas, poderíamos ampliar esse número para quase 1.500 trabalhadores — explicou Maurício Batista, diretor-presidente da Regenera Rio, responsável pela destinação de 100% dos resíduos gerados na cidade. O CTR-Rio recebe cerca de 10 mil toneladas de resíduos por dia e é referência em destinação final adequada, captação de biogás e eficiência operacional — Foto: Divulgação Os avanços em saneamento, gestão de resíduos e recuperação ambiental reforçam o potencial da infraestrutura como um setor estratégico para o desenvolvimento do país. Além de gerar benefícios diretos para a população e para o meio ambiente, esse conjunto de iniciativas fortalece a segurança regulatória e amplia a confiança de investidores interessados em projetos de longo prazo. — O mundo quer um ambiente com menos risco para poder investir e ajudar tanto o setor público quanto o privado. A maneira como resolvemos dilemas contratuais, eventos climáticos, a prestação de serviço, o usuário, as pequenas vitórias inspiram para que o investidor estrangeiro queira fazer parte disso aqui no Brasil. E temos vocação para aproveitar esse momento — finalizou o CEO da Aegea.