Sabesp busca água a 60 km de SP para evitar desabastecimentoObra levou uma década para sair do papel e tem o objetivo de reforçar o sistema Alto Tietê. Crédito: EstadãoGerando resumoAs principais operações de mercado no setor de saneamento realizadas em 2026 registraram baixa concorrência, enquanto outros projetos foram adiados em meio a um ambiente macroeconômico desafiador. Para especialistas, o movimento não indica perda de interesse pelo setor, mas reflete o esgotamento do ciclo dos ativos mais cobiçados, a maior complexidade das operações e uma postura mais seletiva dos investidores.PUBLICIDADEO mercado estimava que o setor poderia levantar cerca de R$ 24 bilhões ao longo do ano por meio de três ofertas de ações: Copasa, Aegea e BRK. Na prática, apenas a operação que privatizou a companhia mineira saiu do papel.As ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) das outras duas empresas ficaram para 2027, segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast. Contribuíram para o adiamento o elevado endividamento das companhias, em um cenário de juros altos, e as condições menos favoráveis de mercado.PublicidadeSaneamento lidera a carteira de PPPs e concessões mais próximas de sair do papel no Brasil Foto: Sérgio Castro/EstadãoPrevista inicialmente para o primeiro trimestre, a desestatização da Copasa só foi concluída em meados de junho, movimentando R$ 8,4 bilhões, abaixo da estimativa inicial que apontava para até R$ 10 bilhões. Apesar do interesse inicial da Sabesp e de acionistas da Aegea, só a Equatorial acabou disputando a posição de investidor estratégico, papel que também ocupa na companhia paulista de saneamento.Leia tambémLeilão de saneamento: sem concorrentes, consórcio arremata o Bloco 1 de esgoto do CearáSaneamento é prioridade estratégica para nós, diz CEO da Equatorial após oferta pela CopasaA baixa concorrência também se repetiu nos leilões. No certame mais recente, realizado no fim de junho, quatro dos cinco blocos da parceria público-privada (PPP) de esgotamento sanitário de municípios do interior do Ceará não receberam propostas. Apenas o Bloco 1 foi arrematado, com um único interessado.O leilão da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) chegou a ser adiado de março para maio. Ao final, a espanhola Acciona não enfrentou concorrência. Já a PPP de esgotamento sanitário da Saneamento de Goiás (Saneago), prevista para março, foi cancelada após a desclassificação do único interessado no Bloco 2, enquanto os outros dois lotes não receberam propostas.Publicidade“O saneamento continua sendo um dos setores mais relevantes em termos de oportunidades de infraestrutura. Porém, em parte das parcerias público-privadas (PPPs), a distribuição de riscos e obrigações entre o poder público e a iniciativa privada não tem sido equilibrada”, afirma o sócio do VLR Advogados e professor da FGV Direito SP, Luis Felipe Valerim.Segundo ele, caso a modelagem desses projetos não evolua, a atuação das estatais no processo de universalização dos serviços por meio de PPPs poderá ficar comprometida.Já o sócio do Bocater Advogados, Thiago Araújo, avalia que a menor concorrência observada neste ano reflete uma mudança no perfil dos ativos que chegam ao mercado.Publicidade“O novo marco legal do saneamento ampliou a participação da iniciativa privada e permitiu que os projetos mais atrativos fossem licitados primeiro. Agora, os ativos remanescentes exigem investimentos mais elevados, apresentam maior complexidade operacional e demandam modelagens mais sofisticadas para preservar sua atratividade”, diz.O próximo teste dessa dinâmica será o leilão da concessão regionalizada dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário de Rondônia, marcado para 29 de setembro, na B3. O projeto prevê R$ 8,4 bilhões em investimentos.Para Araújo, o certame poderá indicar se modelos diferentes conseguem ampliar a disputa entre investidores. “Trata-se de uma concessão integral, na qual a concessionária operará os serviços de água e esgoto. Se conseguir atrair maior competição, poderá servir de referência para futuras concessões do setor”.PublicidadePUBLICIDADEO saneamento lidera a carteira de PPPs e concessões mais próximas de sair do papel no Brasil. Entre as 177 iniciativas que já concluíram a etapa de consulta pública, última fase antes do início das licitações, 50 estão ligadas aos segmentos de resíduos sólidos e água e esgoto, aponta levantamento da consultoria Radar PPP.Além de Rondônia, outros projetos relevantes seguem no radar do mercado. Entre eles estão a parceria público-privada (PPP) de esgotamento sanitário do Rio Grande do Norte, estruturada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e em fase final de modelagem, a concessão parcial do sistema de saneamento de Porto Alegre, também apoiada pelo banco, e a concessão dos serviços de saneamento do Maranhão, ainda em fase inicial.
Queda nos investimentos: saneamento perdeu o posto de ‘queridinho’ do mercado?
Últimas licitações tiveram baixa concorrência; em algumas disputas, não houve nenhum interessado








