"Aqui falta água todo dia", conta o líder comunitário Anailson Santos Lima, 48, enquanto conduz a Folha na caminhada morro acima por vielas que separam sobrados com paredes de tijolos de cerâmica aparentes.
A comunidade no ponto mais alto do Jardim D’Abril, no extremo oeste da capital paulista, soma duas condições que a tornam vulnerável em um cenário de escassez hídrica: a falta de conexão oficial com a rede da Sabesp e, principalmente, a localização em um cume onde a água quase não chega quando a companhia de saneamento reduz a pressão na tubulação.
Diminuir a força da água na rede nos horários de menor consumo –ou seja, à noite– é uma estratégia praticada com maior ou menor intensidade há décadas na Região Metropolitana de São Paulo. A medida, cujo propósito é minimizar perdas com vazamentos, é chamada por técnicos do setor de GDN (gestão de demanda noturna) e só pode ser aplicada por deliberação da Arsesp, a agência reguladora de serviços públicos do Estado de São Paulo.
Na sua versão mais recente, a redução de pressão foi oficialmente implantada em agosto do ano passadoe, atualmente, ocorre das 19h às 5h.
É um mecanismo diferente do rodízio, que significa cortar a água por horas ou dias, alternando o racionamento entre regiões. A última vez que isso ocorreu oficialmente foi em meados dos anos 1990. Na crise hídrica de 2014 e 2015, a medida não foi formalmente decretada, embora a percepção tenha sido essa devido à severa redução de pressão realizada na época.






