Teerã, em contrapartida, tem condicionado a abertura do estreito a uma série de concessões de Washington, como a suspensão do bloqueio naval aos portos iranianos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma embarcação perto do Estreito de Ormuz, vista de Musandam, Omã, em 10 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou que está disposto a aumentar a pressão econômica sobre o Irã em vez de lançar novos ataques militares, após Teerã vincular a reabertura do Estreito de Ormuz, que tem sido negociada com Omã, a uma série de concessões de Washington. "Estamos apenas observando o Irã, com sua enorme inflação e o fato de não terem dinheiro", disse Trump em entrevista ao portal Axios no domingo, afirmando que o bloqueio naval americano vinha agravando os problemas financeiros iranianos. “Estamos mantendo isso em baixa intensidade”, acrescentou. Os comentários do presidente representam uma mudança em relação às suas repetidas ameaças de intensificar a campanha de bombardeios contra a República Islâmica. Na sexta-feira, uma autoridade americana disse à Reuters que Teerã e Mascate estavam próximos de um acordo que poderia abrir caminho para a restauração da passagem segura pelo estreito, uma importante via para o transporte de petróleo e gás natural do mundo. O Irã, em contrapartida, reiterou que os EUA devem cumprir algumas condições antes que a via navegável estratégica seja reaberta, incluindo a suspensão do bloqueio naval aos portos iranianos, a retirada de suas forças das proximidades do país, a eliminação de sanções, a liberação de ativos congelados e o pagamento de indenizações pelos danos causados pela guerra. O Irã também exigiu o fim permanente dos ataques contra grupos que apoia no Líbano, Iraque, Iêmen e Gaza. No domingo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que um acordo com Omã sobre o estreito estava em sua “fase final”, enfatizando as declarações feitas no sábado de que Teerã não reabriria o canal a menos que os EUA atendessem a essas exigências. O acordo com o Irã definiria as novas rotas marítimas a serem utilizadas assim que os EUA cumprirem essas condições e o estreito for reaberto, segundo declarações dele citadas pela agência de notícias iraniana Mehr. O Irã e os EUA não estão envolvidos em negociações diretas, e Teerã não as iniciará enquanto Washington violar um acordo provisório assinado em junho, prosseguiu Araqchi, acrescentando que mensagens estavam sendo trocadas por meio de intermediários. No fim de semana, Teerã nomeou Mohsen Rezaee, um ex-comandante linha-dura que defende o controle total do Irã sobre Ormuz, como novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional – um dos principais cargos de segurança do país. A guerra no Oriente Médio, iniciada pelos EUA e Israel com o objetivo declarado de impedir que a República Islâmica desenvolvesse armas nucleares, está em seu quinto mês. Washington e Teerã chegaram a um acordo de cessar-fogo em junho, mas os EUA restabeleceram um bloqueio à navegação iraniana no Golfo em julho, uma medida que, segundo Teerã, violava a trégua, que àquela altura já havia sido quebrada. “Assim que for anunciado o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos”, disse a autoridade americana à Reuters sob condição de anonimato. As medidas de Washington estariam condicionadas ao cumprimento dos compromissos assumidos pelo Irã, afirmou o representante oficial. Os comentários dos EUA indicaram uma sequência delicada rumo a um acordo que, segundo fontes ouvidas pela Reuters, parecia estar definido para dar a Teerã o controle sobre o tráfego de embarcações que entram no Golfo pelo estreito — o que, segundo as transportadoras, não seria facilmente viável. Os Emirados Árabes Unidos afirmaram no sábado que o Irã havia atacado um navio afiliado à sua empresa estatal de petróleo. Não houve comentário imediato do Irã, cuja Guarda Revolucionária já havia atacado embarcações que, segundo ela, tentavam atravessar o estreito sem permissão iraniana. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embarca no avião presidencial no domingo, 9 de agosto de 2026, em Morristown, Nova Jersey. — Foto: AP/Julia Demaree Nikhinson Ataques houthis Os ataques iranianos à navegação no Estreito de Ormuz têm sido acompanhados por um aumento nos ataques de seus aliados no Iêmen, os rebeldes houthis, que têm como alvo navios em outro ponto estratégico para o transporte de petróleo, do outro lado da Península Arábica, entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden. Os houthis também declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Mar Vermelho no mês passado, em resposta ao que alegaram ser um cerco saudita contra eles no Iêmen — alegação negada pela Arábia Saudita, que apoia o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen. O grupo rebelde iemenita afirmou ter atacado a refinaria da Saudi Aramco em Jazan no domingo, dois dias depois que o reino assinou um pacto de defesa com os aliados muçulmanos sunitas Turquia e Paquistão, em resposta à crescente instabilidade regional causada pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã xiita. O Ministério da Energia da Arábia Saudita informou que um incêndio havia se alastrado na refinaria, mas foi posteriormente extinto sem causar feridos, sem especificar a causa. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, afirmou que a nova aliança não era dirigida contra o Irã ou qualquer outro país, mas servia, antes, como um compromisso geral de apoio à segurança. Um míssil é lançado em direção ao alvo durante o que os houthis , alinhados ao Irã, afirmam ser um ataque à cidade portuária de Mocha, no Mar Vermelho, Iêmen, em 9 de agosto de 2026, nesta imagem estática extraída de um vídeo divulgado — Foto: Centro de Mídia Houthi /via REUTERS Os combates se intensificaram entre os houthis e as forças governamentais no Iêmen; as forças armadas iemenitas informaram na segunda-feira que sete pessoas, incluindo militares e civis, foram mortas em um ataque houthi à cidade portuária de Mocha, no Mar Vermelho. As defesas aéreas interceptaram e abateram 11 drones houthis que participaram do ataque, informaram as forças armadas.
Trump diz que aumentará pressão econômica contra o Irã em meio a negociações sobre Ormuz
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