No começo, tudo é silêncio e ausência. De repente, um bailarino entra em cena com as mãos erguidas para o alto e se posiciona no centro do tablado. Os movimentos são lentos e suaves, como se ele estivesse flutuando debaixo d’água. Esse langor, no entanto, é interrompido pelo ressoar de uma música que mistura funk e xaxado, momento em que o artista agita os pés de forma frenética.
Tal como a canção, os passos são marcados pelo hibridismo. Ora lembram o samba e o breakdance, ora evocam o frevo e o passinho. A impressão é que a coreografia une os ritmos que brotaram em diferentes ruas do Brasil.
Não à toa, radiografar os estilos populares do país é justamente uma das propostas de "Puff", espetáculo que estreia na quinta-feira, dia 13, no Sesc Pompeia, na zona oeste de São Paulo.
Dirigida por Alice Ripoll e estrelada por Hilton Junior, conhecido como Hiltinho Fantástico, a produção da companhia REC nasceu a partir do interesse do dançarino pelo passinho —dança que surgiu nas favelas cariocas nos anos 2000.
O artista entrou em contato com esse movimento aos 8 anos, quando morava com a família em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A partir daí, o hobby se tornou profissão e ele passou a nutrir interesse pelas demais vertentes da dança. "Sempre tive essa vontade de misturar outros estilos com o passinho, porque ele é muito aberto para movimentações como o samba, o frevo e o hip hop."









