Um bailarino entra, depois outro, e mais outro. A caminhada em câmera lentíssima logo ganha velocidade, até que os corpos ocupam todo o palco. Organizados em fileiras, voltam a desacelerar. Encaram o público o tempo todo. O que antes era indivíduo logo é absorvido pelo grupo. No centro da cena, uma estrutura de aço de 1,2 tonelada é empurrada, escalada e deslocada por quem está em cena. Em um determinado momento, o monumento avança em direção à plateia, como se fosse engoli-la.
"Coro Umbral", obra da coreógrafa colombiana Andrea Peña, é uma das duas estreias que compõem a segunda temporada do Balé da Cidade, que começa neste sábado (20) no Theatro Municipal. A outra é "Até que se Abra Tudo", da brasileira Michelle Moura. Juntas, as criações investigam diferentes formas de pensar o corpo coletivo e suas transformações.
Dividida entre Montreal e Paris, Peña desenvolveu uma linguagem que cruza dança, design industrial e arte instalativa. Em "Coro Umbral", essa relação aparece de forma explícita na cenografia monumental e na maneira como ela interfere na movimentação dos intérpretes. Para ela, a estrutura não é apenas um elemento cênico, mas uma força capaz de afetar os corpos e reorganizar suas relações.












