No palco do Museu da Dança de Joinville, sete bailarinos entram um a um, em silêncio. Caminham lentamente com chapéus iluminados que lhes ocultam os olhos. A imagem inicial de "Cabeças" sugere corpos em busca de identidade. Aos poucos, a contenção dá lugar ao movimento, e a coreografia acelera até explodir em saltos, giros, quedas e demonstrações de equilíbrio. O espetáculo, apresentado pela Cia 255, integrou a programação do Festival de Dança de Joinville nesta quarta-feira (22).
Criada em 2024, a obra é inspirada na história da Sociedade Kênia Clube, fundada em 1960 por moradores negros de Joinville em resposta à segregação racial —não oficial— que os impedia de frequentar os mesmos espaços de lazer da população branca. Com direção e coreografia de Rubens Oliveira, vencedor do APCA de melhor coreografia em 2018, "Cabeças" transforma a trajetória do clube em uma reflexão sobre ancestralidade e pertencimento.
O nome da companhia remete ao endereço da sede do Kênia Clube, na rua Botafogo, nº 255, no bairro Floresta. Foi ali que a comunidade negra construiu um dos principais espaços de sociabilidade da cidade e fundou a primeira escola de samba de Joinville, hoje chamada Príncipes do Samba. Inspirados pela União Africana do Kênia (KAU), movimento que lutava pela independência do país africano, os fundadores criaram uma associação que, décadas depois, seria reconhecida como patrimônio imaterial do município.








