PUBLICIDADE Projeto Baile Cria, fundado por produtores do Rio que vivem na Alemanha, transforma festas em Berlim em vitrines da cultura funkeira e apresenta o batidão carioca a públicos de diferentes nacionalidades 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Da favela para o mundo. Baile Cria, projeto que leva repertório do funk carioca para o público em Berlim, ganha espaço na programação da capital alemã — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 13/06/2026 - 18:54 Projeto Baile Cria leva o Funk Carioca para Berlim e conquista públicos internacionais O funk carioca está conquistando Berlim através do projeto Baile Cria, fundado por cariocas que moram na Alemanha. O coletivo, liderado por Ricardo Cortês, promove festas que destacam a cultura funkeira, transformando a música em uma potente expressão cultural. Em eventos como o Samba de Sarjeta e Maloca, o funk atrai públicos de diversas nacionalidades, oferecendo uma experiência enérgica e inclusiva. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Com sol a pino, na tarde de um sábado recente, os termômetros marcavam 28°C. Pouco para quem está acostumado com o calor do Rio, mas quente o suficiente para suar em bicas em Berlim. Na área externa da cervejaria Berliner Berg, em Neukölln (Nova Colônia), na zona sudoeste da capital alemã, gente de diferentes nacionalidades — alguns com a camisa do Brasil — dançava, cada um a seu modo, na pista de areia. No cenário praiano, entre os gêneros musicais ouvidos, destacou-se aquele batidão carioca inconfundível, de Bonde do Tigrão a 150 BPM. Justiça decide que acusados de envolvimento na morte do jornalista Robson Giorno em Maricá não irão a júri popularPolícia investiga agressão a idoso em Copacabana; vítima diz ter sido atacada por carregar adesivo de deputada do PT Os responsáveis pela façanha são DJs forjados nas ruas do Rio que, com o projeto Baile Cria, se dedicam a espalhar a cultura funkeira na capital alemã. O coletivo foi fundado pelo designer e produtor cultural Ricardo Cortês, de 41 anos. Cria da Ilha do Governador, ele reuniu outros DJs cariocas para tocar em festas temáticas de funk e afrofunk na cidade alemã. Há pelo menos quatro anos, bota a galera para ouvir música brasileira em eventos como o Samba de Sarjeta, em 2022, e o projeto Maloca, em 2023, de repertório mais amplo. Em abril deste ano, nasceu oficialmente o Baile Cria. — A ideia é disseminar a cultura do funk em outros contextos. Nossa música não é mero produto de exportação, mas uma potência da nossa cultura. Para os brasileiros, é comunidade e pertencimento. A gente quer dar dignidade a quem criou essa música, ao território de onde ela veio, e contar essa história para as pessoas na Europa — conta Ricardo, mais conhecido como DJ MDZN, sigla para Maloca da Zona Norte. Naquele sábado calorento para os padrões locais, o estilo musical variava: ouvia-se amapiano, que é o eletrônico sul-africano, afrohouse e pop. Na hora do funk, no entanto, a coisa mudava de figura. As pessoas balançavam os braços e mexiam os quadris tentando entender como a coisa funcionava. Pelo menos uma rebolava até o chão, de bermuda verde-bandeira, mas logo a surpresa se desfez: era o niteroiense Douglas Oliveira, de 30 anos, que mora na Alemanha e estava a passeio por Berlim. — É muito louco ver festa de funk aqui, mas é isso, eles também apreciam o que a gente tem. Já vi vários com a camisa do Brasil e a maioria era gringa — contou o dançarino, que caprichou no passinho. Em outro ponto da pista, as amigas Calli Müller, de 26 anos, e Yenne Strauss, de 25, dançavam com um sorriso no rosto. —A gente estava procurando alguma coisa diferente de techno, que Berlim já tem muito. Eu gosto, mas nem sempre é a vibe. O funk é muito divertido de curtir, a energia é totalmente diferente, acho mais amigável, dá para dançar e curtir com outras pessoas, é ótimo — opinou Calli. A amiga acompanhou o argumento: — Em boates techno as pessoas geralmente estão mais focadas em si, a energia é mais introspectiva e talvez mais séria. O funk é uma expressão mais alegre — conta Yenne. Uma missão Ricardo Cortês pisou em Berlim pela primeira vez em 2012, durante uma viagem de mochilão pela Europa, e se encantou. A porta de entrada foi a carreira como desenvolvedor de TI, área de formação em que atuou até 2022, quando começou a despontar o desejo de trazer o gingado da musicalidade brasileira. — Foram muitos anos trabalhando em áreas diferentes e muita luta para hoje conseguir viver fazendo cultura brasileira por aqui — conta ele, que foi reunindo, aos poucos, outros cariocas para integrar o conjunto. Foi o caso de Angélica Xavier, de 35 anos, ou DJ Yandra Furiosa. Cria do bairro de Santa Teresa, ela mora na Alemanha há quatro anos. Tocar funk em Berlim, para a DJ, é missão diplomática: — O funk do Rio nasceu em um lugar onde as pessoas tinham poucos recursos, mas com uma potência cultural muito forte. É muito mais que música. É identidade, sobrevivência, criatividade. *Reportagem produzida durante o programa Internationale Journalisten-Programme (IJP), apoiado pelo Ministério de Relações Exteriores da Alemanha