Sucesso atravessa fronteira do bairro da Zona Oeste, avança para outros territórios da cidade e chega a estados como São Paulo, onde se apresenta com assiduidade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Terreiro de Crioulo faz sucesso em Realengo, fora do bairro e até do Rio — Foto: Marina Calderon / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/06/2026 - 15:22 Terreiro de Crioulo: Roda de Samba Autêntica Conquista o Rio O Terreiro de Crioulo, uma roda de samba originada em um quintal de Realengo, Zona Oeste do Rio, tornou-se um fenômeno cultural, atraindo público de toda a cidade e até de São Paulo. Criado em 2014, o evento se destaca por sua autenticidade e conexão com a ancestralidade africana, mantendo parte do terreno em chão batido para preservar essa essência. A roda, elogiada por um júri do GLOBO, reúne 20 músicos e é famosa por sua interação com o público e repertório de sambistas renomados. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Rua do Imperador, em Realengo, na Zona Oeste, é uma via residencial e pacata, com casas de até dois pavimentos, em sua maioria, e algumas árvores. O movimento por lá costuma mudar um pouco no primeiro sábado de cada mês. A começar pela quantidade de carros estacionados, que aumenta consideravelmente nesses dias. É que um quintal protegido por um muro baixo e discreto, onde não se vê sequer um letreiro anunciando o que acontece por ali, recebe nessas datas uma das rodas de samba mais concorridas da cidade. O Terreiro de Crioulo é eleito a melhor do Rio por uma votação de um júri de bambas reunidos pelo GLOBO. — Me sinto aqui como se estivesse no quintal da minha casa. É um clima muito bom, onde se ouve samba de raiz de verdade. Eles (os músicos) construíram uma história bem bacana — aprova o militar Maike Brasileiro Barros, de 29 anos, morador da Vila da Penha. Surgida da fusão de dois outros projetos de samba — Samba da 400 Criolice — , a roda foi criada em 2014, no quintal que tem capacidade para receber até 1.200 pessoas. O sucesso atravessou a fronteira do bairro da Zona Oeste e avançou para outros territórios do Rio. PH Mocidade comanda roda no Museu do Amanhã: roda é requisitada para eventos por toda a cidade — Foto: Marina Calderon No final de maio, o grupo formado por 20 músicos comandados por PH Mocidade, animou o fim de tarde do Alfa Bar e Cultura, no Boulevard Olímpico, perto da Praça Quinze. Dias antes, havia sido contratado como atração em um evento fechado no Museu do Amanhã. — Existia uma resistência do povo do Centro e da Zona Sul de vir para o samba na Zona Oeste. Diziam que era longe demais. Quebramos essa resistência — afirma PH Mocidade. No primeiro sábado de junho, uma equipe do GLOBO acompanhou a roda do mês e pôde constatar o que disse o organizador da roda. Havia gente de diferentes pontos do Rio e até mesmo de São Paulo, onde o grupo se apresenta com mais assiduidade fora da cidade. No meio do público, estava o bancário, José Leonardo Duarte, de 40 anos, morador da Glória. — Já me organizo de modo que no primeiro sábado do mês não tenha nenhum outro compromisso. Gosto do tipo de samba que ouvimos aqui. É aquela coisa tradicional sem concessões aos modismos. Sem falar que é um terreiro ancestral — pontua. Interação do público faz parte da essência do Terreiro de Crioulo — Foto: Marina Calderon Essas marcas da ancestralidade estão por todo lugar. Das banquinhas que vendem bijuterias e outros objetos com inspiração afro à decoração do lugar e a vestimenta dos músicos e de alguns frequentadores. Numa das paredes, há uma grande faixa, onde se lê: "Nossa Pequena África". Do outro lado, num mapa da África, está escrito "Terreiro de Crioulo é chão ancestral". É justamente para manter essa ligação com a ancestralidade, que faz do Terreiro de Crioulo a roda mais preta do Rio, que uma parte do terreno segue em chão batido. PH disse ainda que a roda é montada no meio do quintal para facilitar a interação com o público. — A gente não quer ficar imprensando contra a parede, num palco, nem ser o artista. Queremos que o povo participe e cante junto. Não nos importamos em tomar banho d'água, cerveja ou refrigerante — diz PH. O roteiro costuma ser baseado no repertório de bambas como Roberto Ribeiro, Almir Guineto, Zeca Pagodinho e outros. A roda é tão concorrida que os ingressos vendidos pela Sympla, a partir de R$ 20, costumam esgotar rapidamente. Mas, se não der para conhecer o Terreiro de Crioulo na sua casa, uma opção é ficar de olho nas redes sociais do grupo, onde são postados os eventos em que participa pela cidade.